O Brasil perdeu aproximadamente 30 milhões de hectares de vegetação por queimadas em 2024, segundo dados oficiais. Amazônia foi a região mais impactada, respondendo por mais da metade das áreas atingidas. O avanço do fogo preocupa especialistas devido aos impactos ambientais e sociais.
Recorde histórico na Amazônia e Mata Atlântica
Em 2024, a Amazônia registrou o maior índice de queimadas desde 1985, com cerca de 15,6 milhões de hectares afetados — 117% acima da média histórica. Pela primeira vez, 6,7 milhões de hectares de florestas foram incendiados, superando os 5,2 milhões de hectares de pastagens queimadas. A ação humana, aliada à seca severa, foi apontada como principal causa desse cenário, segundo Felipe Martenexen, coordenador de mapeamento do bioma Amazônia.
Além da Amazônia, a Mata Atlântica também bateu recorde, com 1,2 milhão de hectares queimados, número 261% acima da média histórica. São Paulo concentrou 4 dos 10 municípios com maior proporção de área queimada, especialmente na região de Ribeirão Preto.
Impactos ambientais e sociais
As queimadas afetam a qualidade do ar, a saúde das populações locais e o equilíbrio dos ecossistemas. Comunidades indígenas e ribeirinhas estão entre as mais vulneráveis. Natalia Crusco, do MapBiomas, destaca que incêndios na Mata Atlântica trazem danos econômicos e afetam a qualidade de vida da população.
Distribuição das queimadas pelos biomas
Cerrado e Amazônia concentram juntos 86% das áreas queimadas no Brasil entre 1985 e 2024, com 89,5 milhões de hectares no Cerrado e 87,5 milhões na Amazônia. Em termos proporcionais, 21% da Amazônia e 45% do Cerrado foram atingidos pelo fogo ao menos uma vez nos últimos 40 anos. Mato Grosso, Pará e Maranhão lideram em área queimada, somando 47% do total nacional.
Na Caatinga, 11,15 milhões de hectares queimaram desde 1985, mas em 2024 houve redução de 16% em relação à média, com 404 mil hectares atingidos. O Pampa registrou perdas abaixo da média, com 495 hectares queimados, principalmente em áreas naturais e de silvicultura.
Desafios no combate ao fogo
Governo e organizações ambientais intensificaram ações de fiscalização, monitoramento por satélite e campanhas de conscientização. Mesmo assim, a combinação de vegetação inflamável, baixa umidade e uso do fogo dificulta o controle das queimadas.