Economia

Banco Central avalia conexão do Pix ao sistema europeu de pagamentos instantâneos

Integração com o TIPS pretende derrubar tarifas de até 10% e substituir dias de espera por liquidação em segundos
Torre do Banco Central e mapa da Europa representam o Pix internacional na Europa, conectando sistemas de pagamento

O Pix deu o primeiro passo rumo a uma conexão oficial com a Europa. O Banco Central informou na semana passada o início da fase de avaliação da interligação entre o sistema brasileiro e o TIPS, a infraestrutura de pagamentos instantâneos da União Europeia.

A promessa do Banco Central Europeu (BCE) é fazer uma transferência internacional custar menos de 3% do valor enviado e chegar ao destino em segundos, não em dias.

Tarifas de até 10% no alvo

Em entrevista ao g1, Marco Massarenti, consultor de pagamentos do BCE, afirmou que remessas e pagamentos transfronteiriços com moedas pouco utilizadas têm tarifas que “podem chegar a 10% ou mais”. “O que queremos é reduzir esse custo para menos de 3%”, detalhou.

O ponto central do projeto, segundo ele, é a orquestração do pagamento de ponta a ponta: definir quando e como o dinheiro sai de um continente para o outro. BCE e Banco Central avaliam interoperabilidade técnica, especificações funcionais, aspectos jurídicos e modelo de negócios.

Entre as questões em aberto estão a compatibilidade das mensagens trocadas pelos dois sistemas, os processos de pagamento e o caráter definitivo da liquidação. Na Europa, a análise inclui ainda proteção de dados; nas duas jurisdições, segurança e confiabilidade das operações.

A fase de avaliação dá continuidade à agenda evolutiva do Pix internacional que o Banco Central já havia detalhado em relatório de gestão em agosto.

Bancos seguem na equação

Brasileiros já usam o Pix em alguns países europeus, mas por meio de arranjos privados entre bancos e intermediadoras de pagamento — modelo parecido com o que o Banco do Brasil habilitou na Argentina para pagamentos com QR code. Mesmo com a infraestrutura pública entre bancos centrais, parcerias desse tipo continuarão necessárias na ponta final da operação.

“Não estamos retirando os bancos da equação. Continuaremos precisando das instituições financeiras e dos provedores de serviços de pagamento em ambas as jurisdições para levar a transação até a última etapa”, disse o consultor. Haverá custos para os originadores, e as taxas seguirão definidas na relação comercial entre clientes e bancos: “Isso será algo decidido pelos próprios bancos”.

O Brasil não é o único parceiro em avaliação. O BCE também estuda conexões com o indiano UPI, com o sistema suíço e com o Nexus Global Payments, num esforço alinhado ao roteiro do G20 para pagamentos transfronteiriços e à autonomia estratégica europeia no setor. Em paralelo, os países do Brics discutem sua própria integração de pagamentos e moedas digitais antes da cúpula.

Não há prazo definido. Massarenti afirma que “ainda é cedo” para estimativas e lembra que, concluída a análise de viabilidade, ainda será preciso desenvolver e implementar as mudanças técnicas que conectam os dois sistemas.