O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (10) o relatório de gestão do PIX, ferramenta de transferências instantâneas lançada em 2020, com balanço da evolução do sistema e a agenda de novidades em construção.
Entre as frentes em desenvolvimento estão o PIX internacional, o PIX em garantia de crédito e um grupo de trabalho sobre uso indevido de mensagens nas transações — mas o relatório não cita o PIX Parcelado, aguardado por 60 milhões de brasileiros sem acesso a cartão de crédito.
Da cobrança ao PIX por aproximação: o que já mudou
Desde o lançamento em 2020, o PIX ganhou funcionalidades como o PIX Cobrança, o PIX Saque, o PIX Agendado e o PIX por Aproximação, recursos citados pelo BC como marcos da evolução da ferramenta. Em abril, o Banco Central já havia esboçado sua agenda evolutiva para 2026, quando o sistema encerrou 2025 com volume recorde de R$ 35,36 trilhões em transferências, e o relatório desta segunda dá continuidade a esse roteiro.
PIX internacional, garantia de crédito e split tributário
Para os próximos meses, o BC trabalha na cobrança híbrida, na quitação de duplicatas via PIX e no chamado split tributário, vinculado à reforma tributária — funcionalidades estimadas para 2026 segundo reunião do Fórum PIX em março. Já o PIX internacional e o PIX em garantia de crédito ficaram programados para os próximos anos, sem data definida.
No caso do PIX internacional, o BC informou que parcerias entre instituições financeiras brasileiras e estrangeiras já permitem a geração de QR Codes e o recebimento da confirmação da transação em tempo real.
Alertas de golpe e uso indevido do campo de mensagens
O BC também confirmou que discute a evolução do “alerta de golpe”, funcionalidade já usada por algumas instituições para avisar clientes sobre transações suspeitas no momento da iniciação do PIX. Um grupo de trabalho criado neste ano no Fórum PIX, com participação de associações do setor, debate ainda o uso indevido do campo de descrição — que tem servido para envio de mensagens — buscando preservar a integridade do instrumento sem comprometer a experiência dos usuários.
PIX Parcelado segue sem prazo de regulamentação
O relatório desta segunda não faz nenhuma menção ao PIX Parcelado, modalidade que seria uma alternativa de crédito formal para os cerca de 60 milhões de brasileiros que hoje não têm acesso a cartão de crédito. O parcelamento via PIX já é oferecido por diversas instituições financeiras, mas o BC ainda não padronizou as regras do produto — medida que tende a estimular a competição entre bancos e pressionar os juros para baixo.
A omissão repete um padrão observado desde o fim do ano passado: em outubro de 2025, o Banco Central já havia adiado a regulamentação do PIX Parcelado sem informar novo prazo ou justificativa. Até agora, a autoridade monetária não sinalizou quando a padronização deve sair do papel.