O economista americano Paul Krugman, Nobel de Economia, afirmou que o Brasil pode ter criado o futuro do dinheiro com o Pix, lançado em 2020 pelo Banco Central. Em artigo publicado nesta terça-feira (22/7), Krugman destacou a revolução promovida pelo sistema de pagamentos instantâneos no país. O Pix já é utilizado por 93% dos adultos brasileiros, tornando transferências e pagamentos mais acessíveis, rápidos e baratos.
Reconhecimento internacional e funcionamento do Pix
O Pix foi reconhecido internacionalmente como uma inovação que transformou o sistema financeiro brasileiro, tornando-o mais inclusivo e eficiente. O sistema permite transferências e pagamentos em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana, sem custos para pessoas físicas. Para usar, basta cadastrar uma chave, que pode ser CPF, e-mail, telefone ou uma chave aleatória.
Desde seu lançamento, o Pix aumentou a inclusão financeira, facilitou o comércio eletrônico e reduziu a dependência de dinheiro em espécie. Pequenos negócios e consumidores se beneficiaram da praticidade e segurança do sistema.
Comparação com sistemas dos EUA
Krugman comparou o Pix ao Zelle, sistema americano operado por bancos privados, afirmando que o Pix é mais fácil de usar e muito mais popular. Ele ressaltou que o sistema brasileiro alcançou o que as criptomoedas prometiam, mas não conseguiram: baixos custos de transação e inclusão financeira. “Compare os 93% de brasileiros que usam o Pix com os 2% de americanos que usaram criptomoedas para comprar algo ou fazer um pagamento em 2024”, escreveu.
Desafios, futuro e repercussão política
Apesar do sucesso, o Pix enfrenta desafios como fraudes e a necessidade de constante aprimoramento para garantir segurança e eficiência. O Banco Central trabalha em atualizações para manter o sistema moderno e confiável.
Krugman criticou a legislação americana Genius Act, aprovada no governo de Donald Trump, por abrir caminho para fraudes e impedir a criação de uma moeda digital do banco central (CBDC) nos EUA. Segundo ele, parlamentares republicanos alegam preocupações com privacidade, mas o real motivo seria o receio de que as pessoas optem por moedas digitais públicas em vez de bancos privados.
O economista destacou que o Brasil já estuda a criação de uma CBDC, tendo o Pix como primeiro passo. Ele afirmou que outras nações podem aprender com o sucesso brasileiro, mas os EUA devem permanecer presos a interesses privados e fantasias cripto. “O Brasil, de fato, planeja criar uma CBDC. Como primeiro passo, em 2020, o país lançou o Pix, um sistema de pagamento digital administrado pelo Banco Central”, concluiu Krugman.