O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (25) que sistemas de pagamento instantâneo como o PIX são uma tendência global que, com o tempo, “terá de ser devidamente aceita e incorporada” pelos demais países.
A declaração foi feita em resposta à investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos contra o PIX, que pode resultar em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos americanos.
O argumento de Galípolo
Para o presidente do BC, o Brasil não está sozinho nesse movimento. “Vários países do mundo vêm aqui entender como a gente fez e copiar. Mas o Brasil não é o único que tem. Hoje, vários países têm”, disse Galípolo.
A declaração é uma resposta direta às críticas mais recentes de autoridades norte-americanas ao PIX, que surgiram no início de junho. A acusação central é de que o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que favoreceria o PIX em detrimento de empresas americanas do setor financeiro.
A investigação americana
O questionamento faz parte de uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR), que avalia práticas de parceiros comerciais classificadas como “onerosas ou restritivas”. No caso brasileiro, a proposta em discussão é uma tarifa de 25% sobre produtos nacionais.
Especialistas apontam que a ofensiva americana vai além do PIX em si. O embate com as big techs, a concorrência com bandeiras de cartões de crédito americanas e o avanço do PIX Internacional — além das discussões do Brics sobre alternativas ao uso do dólar — ajudariam a explicar o nível de pressão exercido por Washington.
A acusação de que o BC acumula funções de regulador e operador — núcleo técnico do questionamento americano — foi detalhada pelo economista Gustavo Pessoa, único brasileiro inscrito na audiência pública do USTR marcada para 6 de julho.
Na mesma linha, o ex-diretor-geral da OMC Roberto Azevêdo avaliou que a queixa americana não é sobre o PIX em si, mas sobre o fato de o Banco Central operar e regular o sistema simultaneamente — argumento que Azevêdo detalhou em análise sobre as negociações com os EUA.
Reação política e prazo decisivo
A resposta brasileira ao imbróglio não ficou restrita ao Banco Central. No início de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu em um evento em Catalão, Goiás, segurando um cartaz com os dizeres: “O PIX é do Brasil”.
No mesmo evento, Lula cobrou uma reunião com Donald Trump e afirmou esperar um telefonema do presidente americano para que ele explique as medidas anunciadas contra o país.
A declaração de Galípolo ocorre a menos de três semanas do prazo de 15 de julho para o relatório final do USTR — que pode abrir caminho para sanções comerciais mais amplas contra o Brasil.
