Saúde

PrEP injetável tem adesão de 90,8% no SUS e reduz infecções por HIV, aponta Fiocruz

Estudo com 1.201 voluntários em seis capitais registrou três casos no grupo do cabotegravir, contra 18 entre quem usou comprimido diário
Fiocruz e SUS representam estudo sobre a PrEP injetável no SUS que reduz infecções por HIV

A profilaxia injetável contra o HIV manteve 90,8% dos dias de acompanhamento cobertos pela proteção entre 1.201 jovens atendidos pelo SUS em seis capitais brasileiras. Entre quem optou pela PrEP oral, em comprimido diário, o índice ficou em 35,5%.

Os dados são do estudo ImPrEP CAB Brasil, conduzido pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e publicado nesta quinta-feira (24) na revista The Lancet HIV.

Três infecções contra 18

No grupo do cabotegravir, foram registradas três novas infecções pelo HIV ao longo do acompanhamento, o equivalente a uma incidência de 0,20 caso por 100 pessoas ao ano. Na coorte que usou a PrEP oral já disponível na rede pública, foram 18 casos, com incidência de 1,48.

A regularidade também se sustentou: 92% das injeções foram aplicadas dentro do prazo previsto. Depois das doses iniciais, a aplicação é feita a cada dois meses, enquanto a proteção por comprimido depende de uso diário e sem falhas.

Um teste em condições reais de atendimento

Os participantes tinham entre 18 e 30 anos e foram recrutados entre outubro de 2023 e setembro de 2024 no Rio de Janeiro, em São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador, com acompanhamento até 16 de outubro de 2025.

O público reuniu homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas não binárias e homens e mulheres trans — os grupos mais expostas ao vírus nas estatísticas brasileiras de prevenção.

O desenho adotado, um estudo híbrido de implementação de tipo 2, mediu ao mesmo tempo a efetividade da tecnologia e o seu funcionamento na rotina dos serviços de saúde. É justamente esse tipo de evidência, complementar à dos ensaios clínicos, que a avaliação de tecnologias em saúde exige antes de uma incorporação.

O caminho até a Conitec

Aprovado pela Anvisa em 2023, o cabotegravir teve o preço de compra acertado entre o governo e o fabricante em julho, durante a Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, quando o ministro Alexandre Padilha anunciou o acordo.

Em agosto, o Ministério da Saúde levou à Conitec a proposta de incorporação, seguida de consulta pública encerrada no fim do mês. Como as reuniões da comissão são mensais, a expectativa é que o tema entre em pauta em outubro, segundo apuração do g1 junto à pasta.

Antes de recomendar, a comissão precisa pesar evidências científicas, custos e impacto orçamentário da incorporação — e o ImPrEP CAB Brasil tende a servir de subsídio. Já o lenacapavir, injetável de aplicação semestral, segue travado à espera da fixação de preço pela CMED.

Enquanto isso, a PrEP oral continua gratuita no SUS. Nenhuma das formas protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, e a orientação é que a profilaxia integre uma estratégia combinada, com preservativo, testagem regular e acompanhamento de saúde.