São Paulo passou a distribuir gratuitamente PrEP e PEP, comprimidos que reduzem em até 99% o risco de infecção pelo HIV, em máquinas instaladas em cinco estações de metrô da capital paulista.
O modelo, criado pela Secretaria Municipal de Saúde, é inédito no mundo nesse formato e vira tema da 26ª Conferência Internacional sobre Aids, que reúne pesquisadores no Rio de Janeiro desde domingo (26/7).
Como funciona o acesso pelo metrô
A PrEP é usada antes de uma relação sexual de risco, de forma diária ou sob demanda, enquanto a PEP é indicada por 28 dias a quem já se expôs ao vírus. Nenhuma das duas substitui o preservativo, já que não previnem outras infecções sexualmente transmissíveis.
Para retirar o medicamento, o usuário baixa o aplicativo e-saúdeSP, apresenta exame negativo para HIV, faz consulta virtual e recebe um QR Code para usar nas máquinas das estações Brás, Consolação, Luz, Santana e Vila Sônia.
"A ideia é que as pessoas não precisem se dirigir a uma unidade de saúde. São os serviços de saúde que têm de se colocar na rotina delas", diz Maria Cristina Abbate, coordenadora do programa municipal de IST/Aids e idealizadora do projeto.
Números da iniciativa
Desde a primeira máquina, em junho de 2024, cerca de 15 mil dispensações já foram feitas nas estações. Ao todo, 85 mil pessoas usaram PrEP ou PEP na cidade, entre máquinas e postos de saúde, com alta de 15% nos adeptos no último ano.
Um estudo publicado no The Lancet HIV associou a implementação em larga escala do medicamento a uma queda de cerca de 40% nas transmissões do vírus, tendência também observada em São Paulo, que soma dez anos seguidos de redução nos novos diagnósticos.
Ministério da Saúde descarta expansão
Apesar do reconhecimento internacional, o Ministério da Saúde afirmou à BBC News Brasil que não pretende levar o modelo a outras cidades. Segundo a pasta, os custos de implementação e manutenção são incompatíveis com a sustentabilidade do SUS — cada máquina custa cerca de R$ 19,3 mil por mês em São Paulo.
A pasta argumenta que a estratégia nacional já atinge bons resultados, com 5,2 usuários de PrEP para cada novo diagnóstico de HIV no país, acima da referência internacional mínima de três.
Especialistas como o infectologista Ricardo Vasconcelos, da USP, e Márcio Fernandes, da Sociedade Brasileira de Infectologia, defendem que as máquinas ampliam o acesso, mas não podem ser a única porta de entrada: como só exigem teste de HIV, parte dos usuários deixa de monitorar outras ISTs e a função renal.
