Economia

Subvenção a combustíveis chega a R$ 40 bilhões e governo corre para renovar MP do diesel

Benefício de R$ 1,12 por litro vence no sábado e proposta já entregue a Lula quer manter o total em R$ 2,12
Barris de petróleo simbolizam o custo das subvenções aos combustíveis que o governo tenta renovar

O governo federal já comprometeu R$ 40 bilhões com subvenções aos combustíveis desde março, quando passou a bancar parte do preço do diesel e da gasolina para conter o repasse da alta do petróleo ao consumidor brasileiro.

O número foi apresentado nesta quinta-feira (24) pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Do total, R$ 25 bilhões já constavam de relatórios anteriores, R$ 10 bilhões vieram de créditos extraordinários e R$ 5 bilhões correspondem a gastos ainda por vir.

Prazo apertado para manter os R$ 2,12 por litro

A medida provisória que garante a subvenção de R$ 1,12 por litro de diesel perde a validade neste sábado (26). Segundo o g1, Moretti afirmou que a proposta para preservar o benefício já foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A saída desenhada pela equipe econômica é absorver esse valor em uma segunda MP, que hoje autoriza R$ 1 por litro e não fixa teto para o subsídio. Somados, os dois montantes recompõem exatamente os R$ 2,12 por litro em vigor, com validade de 30 dias.

Quatro vezes o limite original

O custo acumulado já é quatro vezes maior que o teto de R$ 10 bilhões fixado no decreto de março que deu origem ao programa de subvenções.

Parte desse montante veio do reforço de R$ 6,6 bilhões liberado por crédito extraordinário no início de setembro, justamente para sustentar os R$ 1,12 por litro de diesel e os R$ 0,44 da gasolina então em vigor.

Como o dinheiro público chega à bomba

Subvenção é o subsídio pago pelo governo para cobrir parte do custo de um produto. No caso dos combustíveis, os recursos vão a produtores e importadores, na expectativa de que o desconto apareça no preço final e de que a valorização do petróleo no mercado internacional não seja repassada integralmente a quem abastece.

Uma política feita de avanços e recuos

O programa nasceu em março, com R$ 0,32 por litro de diesel, foi ampliado em abril e chegou a R$ 1,12 por litro em junho. Gasolina, gás de cozinha e outros combustíveis também entraram na conta.

A trajetória, porém, não foi linear: em junho o governo chegou a encerrar um dos subsídios ao diesel, revertendo o recuo meses depois, diante de nova alta das cotações.

Foi essa virada que levou à criação, em setembro, da subvenção extra de R$ 1 por litro — a parcela que agora o Planalto tenta costurar com a MP prestes a caducar, sob o efeito persistente da guerra no Oriente Médio sobre o preço do barril.