Economia

Governo Lula renova por mais 30 dias o subsídio de R$ 2,12 por litro do diesel

A prorrogação sai dois dias após a reeleição e adia a decisão sobre como retirar um benefício que já custou mais de R$ 32 bilhões
Sede da Petrobras e barris de petróleo ilustram a prorrogação subsídio ao diesel anunciada pelo governo

O governo Lula vai manter por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel vendido no Brasil. O benefício expirou na segunda-feira (26/10), e a prorrogação deve ser anunciada na terça-feira (27/10), segundo a Folha de S.Paulo.

Com a renovação, continua valendo o desconto que segura o preço nas bombas. O petróleo segue caro, com o barril Brent perto de US$ 110, e a medida chega logo depois da reeleição do presidente, no domingo (25/10).

Desconto cobre menos da metade do custo de importação

Em 27/10, o governo pagava R$ 2,12 por litro de diesel nacional e mais R$ 1,40 por litro de diesel importado. Esse reforço ao produto vindo de fora vence em 6 de novembro e também pode ser renovado.

Mesmo somados, os dois valores cobrem menos da metade do custo de importação, segundo estimativa da consultoria StoneX. Na abertura do mercado da sexta-feira (23/10), trazer um litro de diesel ao país custava R$ 6,76. A defasagem da Petrobras, a diferença entre o preço que a estatal cobra e a referência internacional, chegou a R$ 3,53 por litro, e o subsídio também não cobre essa diferença.

Alta nas bombas mesmo com o subsídio

Mesmo com o desconto, o diesel S-10 ficou 20% mais caro nos postos desde o início da guerra no Irã, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Os subsídios a combustíveis estão em vigor desde abril de 2026 e, pelos dados do próprio governo, já passavam de R$ 32 bilhões no fim de agosto.

O valor por litro já foi bem menor. Em junho, a Fazenda fixou o subsídio ao diesel em R$ 0,35 por litro, no lugar da desoneração de tributos federais que estava expirando. A renovação anterior, formalizada em setembro por portaria do ministro Dario Durigan, já tinha mantido o desconto em R$ 2,12 por litro.

Dados do Tesouro Nacional divulgados na quinta-feira (29/10) detalham o peso recente da política nas contas públicas: o governo federal destinou R$ 7,6 bilhões em subvenções à produção e à importação de diesel e de outros derivados de petróleo em setembro. De janeiro a setembro, essas subvenções somaram R$ 15,4 bilhões e contribuíram para o aumento de R$ 20,6 bilhões, em termos reais, nos créditos extraordinários do ano.

Do lado da arrecadação, o imposto de exportação sobre o petróleo bruto rendeu R$ 2,9 bilhões em setembro, e as receitas de exploração de recursos naturais cresceram 71,9% em termos reais sobre setembro de 2025 (R$ 5,7 bilhões a mais), impulsionadas pelo preço do barril, pela produção maior e pelas receitas de comercialização da PPSA. Com isso, o Governo Central registrou superavit primário de R$ 4,8 bilhões no mês, embora acumule deficit de R$ 90,2 bilhões no ano.

Saída do benefício é desafio para o novo mandato

Os subsídios foram pensados como uma ajuda temporária contra os efeitos da guerra no Irã. Desde então, o cenário internacional ficou mais difícil: os confrontos entre rebeldes houthis e forças da Arábia Saudita pressionam o petróleo, não há acordo no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia se intensificou.

Oferta apertada no começo de 2027

A oferta de diesel no início do próximo ano também deve ser menor. Manutenções de refinarias que foram adiadas em 2026, principalmente na Índia e na Coreia do Sul, dois grandes exportadores do combustível, devem pesar no abastecimento.

Para especialistas, retirar os benefícios agora significaria preços mais altos nas bombas e pressão sobre a inflação. Para o governo, o dilema é escolher entre continuar pagando uma conta que só cresce ou repassar ao consumidor um aumento que o subsídio vem contendo.