O governo federal encerra nesta quarta-feira (1º) a subvenção de R$ 0,35 por litro ao diesel, conforme anunciado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça (30). A medida integrava o pacote de auxílio criado em abril após a alta do petróleo causada por conflitos no Oriente Médio.
Com o encerramento, o subsídio vigente desde o fim de maio deixa de reduzir o preço nas bombas. O governo ainda avalia dois outros mecanismos — um de R$ 1,12 por litro para o diesel e outro de R$ 0,44 para a gasolina.
A subvenção encerrada nesta quarta é a mesma que, em 31 de maio, viabilizou um corte de R$ 0,35 por litro no preço do diesel nas refinarias da Petrobras — valor repassado centavo a centavo às distribuidoras. Ela foi criada para substituir a desoneração de impostos federais vencida no início de junho.
O recuo já havia sido sinalizado em meados de junho, quando o governo afirmou que suspenderia os subsídios caso o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã fosse confirmado e o preço do petróleo sustentasse queda.
O que ainda está em vigor
Permanecem sob avaliação do Executivo outras duas subvenções. A de R$ 1,12 por litro foi criada para cobrir, centavo a centavo, um reajuste da Petrobras que, sem o mecanismo, seria integralmente repassado às distribuidoras. Já o subsídio de R$ 0,44 por litro beneficia a gasolina.
O pacote original, lançado em abril, previa desconto de R$ 1,20 por litro do diesel — resultado de desonerações de tributos federais e estaduais combinadas. Com o vencimento de algumas medidas e a criação de outras, o mecanismo foi se reconfigurando ao longo dos meses.
O ministro Dario Durigan não detalhou um cronograma para o encerramento das demais subvenções, mas sinalizou que o governo avalia o que fazer com os mecanismos ainda em vigor — incluindo o subsídio à gasolina, cuja decisão deve ser anunciada em breve.
Para o setor de transportes, o fim da subvenção de R$ 0,35 representa elevação direta nos custos operacionais. Caminhoneiros e empresas de logística são os segmentos mais expostos à volatilidade do diesel, combustível que responde pela maior parte da matriz de frete no Brasil.
A inflação também entra no radar. Com a subvenção ativa, o governo continha o repasse dos preços internacionais do petróleo ao consumidor doméstico. O encerramento parcial do mecanismo pode pressionar índices como o IPCA, especialmente em componentes ligados a transporte e alimentos.
