Meio ambiente

Pressão contra mina de ouro no Xingu chega a Nova York com vídeo de DiCaprio

Liderança indígena Juma Xipaia levou o protesto à Climate Week enquanto a PGR pede ao STF a suspensão da licença do projeto no Pará
Juma Xipaia lidera protesto contra a mina de ouro Belo Sun no Xingu, com o STF ao fundo simbolizando a decisão judicial

A disputa sobre a instalação da Belo Sun na Volta Grande do Xingu, no Pará, ganhou palco internacional nesta semana. A liderança indígena Juma Xipaia levou o caso à Climate Week de Nova York, na terça-feira (22), em ato contra o projeto de mineração de ouro.

A mobilização alcançou públicos muito além do Xingu depois que o ator Leonardo DiCaprio publicou em suas redes sociais um vídeo sobre o empreendimento, vendido como a maior mina de ouro do mundo.

Protesto em Nova York mira a Volta Grande

Durante o evento “A Call to Action for the Amazon: BELO SUN OUT”, Juma Xipaia apresentou cartazes com mensagens em defesa do rio Xingu e contrárias à instalação da mina. A atividade também exibiu um vídeo com manifestações de organizações que se opõem ao projeto.

Ao lado de Leila Salazar-Lopez, diretora da Amazon Watch, e de Osprey Lake, diretora da WECAN, a liderança defendeu a proteção da Volta Grande do Xingu, região que abriga povos indígenas e comunidades tradicionais, como mostrou o ((o))eco.

O que diz o vídeo de DiCaprio

No material publicado no Instagram, o ator afirmou que a empresa pretende instalar no local a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil e chamou atenção para os possíveis impactos do empreendimento.

DiCaprio mantém há anos atuação em pautas ligadas à conservação ambiental e à proteção de povos indígenas. Neste ano, voltou ao Brasil para se encontrar com o cacique Raoni Metuktire.

Licença de instalação está sob contestação no STF

O ato em Nova York acontece enquanto a Belo Sun enfrenta uma nova frente de disputa judicial. Neste mês, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão urgente da licença de instalação do empreendimento.

É esse documento que destrava a obra no terreno — e é justamente ele que vem sendo questionado, em sucessivos rounds judiciais, por quem contesta os estudos apresentados pela mineradora.

A pressão por afrouxar as regras ambientais no Pará também não é nova: meses antes, o senador Flávio Bolsonaro defendeu publicamente a flexibilização de licenças para mineração e agronegócio no estado, o mesmo cenário regulatório em que a licença da mineradora voltou a ser discutida.