Economia

Operação Carbono Oculto mira diretor do Banco Genial e delator do caso Master

Buscas em sete Estados apuram o trajeto de R$ 120 milhões até a compra da distribuidora Terrana
Operação carbono oculto terceira fase investiga Banco Genial e Banco Master em suspeita de lavagem de dinheiro.

O Gaeco, grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto, com buscas em sete Estados.

Entre os alvos estão um executivo do Banco Genial e o empresário que assinou delação premiada nas apurações sobre o Banco Master. A investigação apura lavagem de dinheiro na compra de uma distribuidora de combustíveis.

Quem entrou na mira

Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá estão entre os investigados. Também é alvo Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, que firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República nas apurações sobre o Banco Master.

Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva e cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.

O Gaeco aponta Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, como chefes da organização criminosa. Nenhum dos dois é alvo desta fase — ambos já apareciam na primeira etapa da operação, em agosto de 2025.

A apuração se apoia em relatórios do Coaf, documentos bancários, informações prestadas pelo Banco Genial, registros de movimentação financeira e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores. As conversas indicariam o uso de laranjas para esconder quem de fato controlava os ativos e a distribuidora.

A engenharia da compra da Terrana

Segundo o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões passaram por empresas e contas usadas como contas de passagem antes de chegar à estrutura que assumiu o controle da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.

A transação teria sido montada sob medida: os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01 e as empresas Berna Holdings e Branson Holdings foram criados para viabilizar a aquisição, na avaliação dos investigadores.

O desenho não é inédito. A Carbono Oculto nasceu em agosto de 2025 justamente ao expor fintechs e fundos de investimento usados para ocultar patrimônio no setor de combustíveis, e uma fase anterior, em maio, já havia flagrado contas concentradas e interpostas pessoas movimentando recursos suspeitos.