Política

Megaoperação contra PCC atinge liderança do crime organizado diz Haddad

Ação conjunta de órgãos federais e estaduais mira fraudes fiscais e lavagem de dinheiro em 10 estados

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (28) que a megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) conseguiu atingir o “andar de cima” do crime organizado.

A força-tarefa envolveu Ministério Público de São Paulo, Ministério Público Federal e polícias Federal, Civil e Militar, cumprindo mandados em 10 estados contra uma rede ligada ao PCC.

Os investigados são suspeitos de fraudes fiscais, ambientais e econômicas, além de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.

Detalhes da operação e atuação do Estado

Durante coletiva no Ministério da Justiça, Fernando Haddad classificou a operação como exemplar por atingir a cúpula do sistema criminoso. “Essa operação é exemplar, porque ela conseguiu chegar na cobertura do sistema, no andar de cima do sistema”, declarou.

Segundo Haddad, o Estado aprimorou sua atuação contra o crime organizado, que busca constantemente burlar as leis. Ele ressaltou a importância da investigação da Polícia Federal e da fiscalização da Receita Federal, destacando a necessidade de decifrar o sofisticado caminho do dinheiro ilícito: “A fiscalização da Receita Federal tem que ser colocada à disposição dos órgãos de combate ao crime organizado, porque a sofisticação do crime organizado hoje, ela exige da parte da Receita que nós consigamos decifrar o caminho do dinheiro, que é muito sofisticado. São muitas camadas”, explicou.

Enquadramento de fintechs

Após a coletiva, Haddad informou à TV Globo que, a partir desta sexta-feira (29), as fintechs serão enquadradas como instituições financeiras. “Infelizmente, algumas fintechs foram utilizadas para esse fim. Estamos acompanhando algumas fintechs que serviram de veículo para o crime organizado. A partir de amanhã [sexta], a Receita Federal enquadra as fintechs como instituições financeiras”, afirmou.

Com essa medida, as fintechs passarão a cumprir as mesmas obrigações dos grandes bancos, ampliando o potencial de fiscalização da Receita Federal.

Migração do crime para a legalidade

Antes da fala de Haddad, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também elogiou a operação e comentou sobre a mudança de perfil das organizações criminosas no Brasil. Segundo Lewandowski, há uma tendência de migração dessas organizações da ilegalidade para a legalidade, fenômeno que também ocorre em outros países.

“Hoje é, para a segurança pública e para o governo do Brasil, um momento muito auspicioso no que diz respeito ao combate ao crime organizado. Estamos observando migração da ilegalidade para a legalidade. Importante dizer que esse não é só um fenômeno brasileiro, mas mundial, e tem se intensificado”, declarou Lewandowski.

A operação reforça a integração entre órgãos de fiscalização e segurança no combate a crimes complexos, como fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, e destaca a necessidade de atualização constante das estratégias de enfrentamento ao crime organizado.