A coligação que apoia a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou um recurso nesta quinta-feira (24) para tentar reverter o bloqueio da conta de anúncios do candidato na Meta, dona do Facebook e do Instagram, a dez dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
O pedido, assinado pela coligação Brasil Pronto pra Mais e pelo PT, dá à empresa prazo de seis horas para restabelecer o perfil publicitário “Eleições 2026 Luiz Inácio Lula da Silva Presidente”, desabilitado na véspera.
De acordo com a campanha, a Meta informou apenas que “algumas das suas atividades não seguem nossas regras”, sem apontar qual conduta teria motivado a medida. No recurso, obtido pelo Poder360, os advogados classificam a justificativa como genérica e dizem que ela impede qualquer defesa concreta.
O efeito prático, sustentam, é a paralisação da propaganda paga na maior plataforma de anúncios do país: sem a conta ativa, a campanha não consegue criar nem veicular novos anúncios e perde o uso e o compartilhamento de públicos, recursos decisivos na reta final da disputa.
O argumento da paridade de armas
A tese central da defesa é cronológica. Como a restrição caiu a menos de 11 dias do primeiro turno, ela representaria risco à paridade de armas entre os concorrentes e poderia beneficiar adversários justamente quando o eleitor indeciso decide o voto. O documento recorre à legislação eleitoral e às regras do TSE sobre a atuação das plataformas digitais durante o pleito.
Os advogados acrescentam que a conta pertence a um candidato com registro formalizado e, por isso, não se encaixaria nas hipóteses previstas para remoção ou suspensão — voltadas a perfis falsos, contas automatizadas e robôs.
Não é a primeira vez que a relação entre o Facebook e a candidatura petista vira caso na Justiça Eleitoral: em agosto, o TSE já havia determinado que a rede social removesse em até 24 horas publicações que destacassem pessoalmente o presidente candidato.
Nas redes sociais, o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a página de Lula no Facebook também ficou desabilitada e que a legenda já interpelou a Meta em busca de explicações, além de avaliar levar o caso ao TSE.
“As evidências de interferência estão todas aí, continuam a se repetir e já denunciamos isso publicamente”, escreveu no X, lembrando que a campanha já acionou formalmente o tribunal mais de uma vez e que o próprio Lula levou o tema ao plenário da ONU.
Valadares disse ainda que o partido quer respostas objetivas: por quanto tempo a página e a conta de anúncios permaneceram restritas e quais foram os efeitos da interrupção sobre a campanha.
O episódio se soma a uma sequência de embates jurídicos entre as duas candidaturas. Cinco dias antes, a própria coligação de Lula havia pedido ao TSE a suspensão de uma plataforma de vídeos usada por Flávio Bolsonaro, por suposta propaganda sem identificação. Se os pedidos feitos à Meta não forem atendidos, a campanha afirma que poderá recorrer à Justiça.