Economia

USTR conclui investigação e propõe tarifa de 25% sobre mercadorias do Brasil

Governo americano aponta falhas em patentes, anticorrupção e acordos de leniência como fundamento das sanções
Donald Trump e presidente Lula em composição que representa tarifa 25% produtos brasileiros impostos pelos EUA

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) encerrou nesta segunda-feira (1º de junho) a investigação sobre o Brasil com veredicto duro: as práticas comerciais brasileiras são “irrazoáveis” e prejudicam o comércio americano.

Com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o órgão propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre todas as mercadorias brasileiras, com isenções pontuais, e abriu o caso para consulta pública antes de qualquer sanção definitiva.

A investigação foi determinada pelo presidente Donald Trump em 15 de julho de 2025. O prazo de 30 dias obtido por Lula no encontro com Trump em Washington — que deveria preservar o Brasil de novas sanções enquanto as negociações avançavam — não foi suficiente para suspender o processo formal da Seção 301. Menos de duas semanas após a primeira rodada técnica bilateral, realizada por videoconferência em 19 de maio, o USTR encerrou a investigação e anunciou a proposta de tarifas de 25%.

Seis eixos de críticas ao Brasil

O relatório final do USTR distribui as irregularidades em seis áreas principais. Em propriedade intelectual, o INPI é criticado pela demora na análise de patentes — especialmente biofarmacêuticas, que chegam a 109 meses de espera até a concessão.

No campo anticorrupção, o documento cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação de acordos de leniência “sem transparência” e a queda do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional como sinais de retrocesso institucional.

O embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, reconhece que o diálogo com o governo Lula é “intenso”, mas admite “divergências substanciais” ainda em aberto. A Seção 301 ganhou protagonismo depois que a Corte de Comércio Internacional derrubou as tarifas globais de 10% de Trump em maio, tornando o mecanismo a principal ferramenta tarifária disponível à administração americana.

Isenções e próximos passos

A proposta de 25% prevê uma lista relevante de produtos poupados. Ficam de fora materiais informativos e doações, além de categorias específicas: certas carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos e plantas industriais e medicinais.

Aeronaves e peças de aeronaves brasileiras, terras raras, produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes também estão isentos — setores em que Washington prefere manter o fornecimento sem encarecimento imediato.

Antes de qualquer sanção definitiva, o governo americano estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas para coleta de depoimentos. Durante a fase inicial da investigação, o USTR já ouviu mais de 30 testemunhas e recebeu mais de 295 comentários e réplicas.

O Brasil terá a oportunidade de se manifestar nessas audiências, mas a conclusão já foi formalizada. Qualquer reversão depende agora de mudanças concretas nas políticas apontadas como “irrazoáveis” — um caminho que, até aqui, as rodadas de negociação não conseguiram abrir.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Lula pede votos na Bahia antes de campanha eleitoral começar

PCB confirma Edmilson Costa candidato à Presidência em 2026

Brasil registra 6 mil bebês fora do estado da mãe em um ano

PT abre mão de candidatura a governador em 14 estados em 2026