Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre a proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
O prazo para a decisão final é 15 de julho. Representantes da indústria e do agronegócio brasileiro participam das sessões para convencer o governo americano de que a sobretaxa prejudicaria também empresas e consumidores nos próprios EUA.
No câmbio, o dólar abriu em alta de 0,27%, cotado a R$ 5,1819 por volta das 9h.
A audiência desta semana reúne entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Setores como café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados e mel também se fazem representar. O argumento central é compartilhado: a sobretaxa não é apenas um problema do exportador brasileiro, mas um custo adicional que recairia sobre as próprias cadeias produtivas e consumidores americanos.
Em paralelo, equipes técnicas dos dois países devem se reunir ainda nesta semana para alinhar os preparativos de uma última rodada de negociações de alto nível antes da decisão final, esperada para 15 de julho.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem as negociações com início previsto para as 10h.
Ata do Fed e IPCA de junho completam agenda da semana
Além do tarifaço, dois outros eventos concentram as atenções dos mercados nesta semana. O primeiro é a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve. Na reunião do mês passado — a primeira sob o comando de Kevin Warsh —, o Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75%. A ata desse encontro é aguardada com atenção especial: o índice PCE de maio já havia superado 4% pela primeira vez em três anos, aumentando a pressão sobre a nova gestão do banco central americano diante de uma inflação persistente.
No Brasil, o destaque fica com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, previsto para sexta-feira (10). A expectativa é de desaceleração, puxada principalmente pelo arrefecimento dos preços de alimentos.
Bolsas asiáticas fecham mistas
Na Ásia, os mercados encerraram a sessão sem direção única, com investidores cautelosos em relação ao retorno dos gastos das grandes empresas de tecnologia em infraestrutura de inteligência artificial. O CSI 300 (Xangai e Shenzhen) fechou estável, enquanto o SSEC recuou 0,06% e o Nikkei cedeu 0,01%. Do lado positivo, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1,14%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 0,46%.
