A indústria brasileira voltou a operar em retração em agosto. O índice de evolução da produção medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) caiu para 46,3 pontos, uma perda de 4,7 pontos em relação a julho.
Abaixo da linha dos 50 pontos, o indicador deixa de sinalizar expansão e passa a apontar queda na produção — um recuo que chega junto com o enfraquecimento dos planos de investimento do setor.
Investimento encolhe pelo quarto mês seguido
O índice que mede a intenção de investimento da indústria recuou 1,3 ponto em setembro, de 52,6 para 51,3 pontos. É o menor patamar desde agosto de 2020, no período mais agudo da pandemia de Covid-19.
A queda é a quarta consecutiva. Desde maio, o indicador acumula perda de 3,5 pontos — um movimento contínuo, que aponta menos para oscilação pontual e mais para revisão de planos dentro das empresas.
Como o levantamento foi feito
A Sondagem Industrial, divulgada nesta segunda-feira (21), ouviu 1.403 empresas entre os dias 1 e 11 de setembro: 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes.
O desenho da amostra ajuda a dimensionar o alcance do resultado: a retração não aparece concentrada em um porte específico de empresa, mas no conjunto do parque industrial consultado.
O juro alto como pano de fundo
A perda de fôlego acontece em um cenário de crédito ainda caro. Mesmo após cinco cortes seguidos, a Selic segue em 13,75% ao ano, e o juro real brasileiro continua entre os mais altos do mundo.
Para quem decide ampliar capacidade ou trocar máquinas, esse é o cálculo que pesa: financiar expansão a esse custo exige uma perspectiva de demanda que o próprio setor, pelos números da sondagem, não está enxergando.
O sinal também não é inédito. Um mês e meio antes, a confiança do empresário industrial já havia caído ao menor nível desde a pandemia, antecipando a queda de produção que agora aparece nos dados de agosto.