A TIM Brasil passou a ter uma estatal estrangeira no topo de sua cadeia de controle. A operadora comunicou na sexta-feira (18) que a Poste Italiane, a empresa de correios da Itália, tornou-se sua acionista controladora indireta.
A virada foi decidida na Europa: a estatal ampliou sua fatia na Telecom Italia, dona direta da operação brasileira, de 20% para 66,6% por meio de uma oferta pelas ações.
Oferta de 13 bilhões de euros muda o dono da TIM
A Poste Italiane já era sócia da Telecom Italia, com 20% do capital. Na semana passada, assegurou 66,6% da companhia italiana por meio de uma oferta pelas ações, avaliada em cerca de 13 bilhões de euros — o equivalente a R$ 76,82 bilhões.
“Em decorrência dessa aquisição originária de controle por meio de oferta pública, a Poste Italiane tornou-se a acionista controladora da TI e, consequentemente, a acionista controladora indireta da TIM Brasil”, registrou a operadora em comunicado.
Como fica o organograma
A cadeia de comando passa a ter três degraus: a Poste Italiane controla a Telecom Italia, que segue como controladora direta da TIM Brasil. O que era uma participação minoritária relevante virou controle acionário e, por tabela, poder de decisão sobre a operação brasileira.
Adesão reaberta até 25 de setembro
O movimento ainda não está encerrado. A Poste Italiane informou que o período de adesão à oferta será reaberto de 21 a 25 de setembro de 2026, nos termos da regulamentação aplicável — janela em que acionistas que não entregaram seus papéis antes ainda podem aderir.
O que o comunicado não diz
O anúncio da TIM se restringe à estrutura societária: não trata de mudanças de marca, de operação ou de comando da empresa no Brasil, nem menciona eventuais análises de autoridades brasileiras sobre a troca de controle indireto.
Na prática, o país passa a ter uma grande operadora cujo acionista final é uma estatal italiana — arranjo em que decisões estratégicas sobre a telefonia brasileira nascem do outro lado do Atlântico.