Negócios

JBS e Viva se unem e criam gigante do couro com 20 milhões de peças por ano

Nova empresa, batizada de JBS Viva, terá 31 fábricas e mais de 11 mil funcionários em seis países.
Fábrica JBS em destaque com mapa da América Latina ao fundo, simbolizando a JBS Viva união de couros em escala continental

A JBS fechou nesta terça-feira (15) um acordo com a Viva Holding para criar a JBS Viva, joint venture que vai reunir parte das operações de couro dos dois grupos e alcançar capacidade para processar mais de 20 milhões de couros por ano.

A nova companhia terá 31 fábricas e mais de 11 mil colaboradores no Brasil, Itália, Uruguai, Argentina, México e Vietnã, com participação dividida igualmente entre JBS e Viva.

O acordo definitivo foi assinado nesta terça-feira (15) e estabelece que a JBS Viva nascerá com participação dividida igualmente: 50% para cada grupo. Antes da conclusão do negócio, a Viva fará uma reorganização societária para concentrar na Viva Holding as ações da Viva S.A. e separar os ativos que não entrarão na associação.

O que fica fora do acordo

Nem todos os negócios de couro dos dois grupos migram para a nova empresa. Ficam de fora as operações de colágeno e gelatina de ambas as companhias, além dos ativos e estoques de couro ligados à unidade da JBS em Cactus, no Texas. Também permanecem separados os ativos da divisão de couros da JBS na Alemanha, no Uruguai e no México, e os ativos da Viva que hoje não são usados na operação de couro.

A relação entre as duas companhias, porém, não termina na transferência dos ativos. Pelo acordo, a JBS S.A. continuará fornecendo à JBS Viva o couro cru produzido por seus frigoríficos no Brasil. Em troca, a nova empresa venderá de volta à JBS as aparas e raspas geradas no processamento, insumo usado nas operações de gelatina e colágeno da própria JBS.

Uma consolidação em curso no agronegócio

A Viva é uma das maiores processadoras de couro do Brasil. A empresa nasceu em 2023 da fusão entre Viposa e Vancouros, com capacidade para processar cerca de 7 milhões de couros por ano e faturamento estimado em R$ 3,1 bilhões — volume que agora será somado à estrutura da JBS para formar uma companhia com mais do triplo dessa capacidade.

O movimento se soma a uma onda recente de consolidação no setor: no ano passado, a fusão entre Marfrig e BRF já havia redesenhado o mapa do agronegócio brasileiro com o nascimento da MBRF, concorrente direta da JBS.

Para a JBS, a associação com a Viva também confirma um padrão recente de crescimento via parcerias: há cerca de cinco semanas, a companhia já havia fechado um acordo de até US$ 5 bilhões com o fundo soberano da Indonésia para expandir na Ásia. Ainda não há data definida para a conclusão da operação com a Viva, que depende do cumprimento de condições usuais nesse tipo de transação.

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