A chinesa Geely e a francesa Renault anunciaram nesta quarta-feira (16) um investimento conjunto de 319 milhões de euros, cerca de R$ 1,9 bilhão, para começar a fabricar carros no Brasil.
A partir de 2027, a fábrica da Renault em São José dos Pinhais, no Paraná, vai produzir o Geely EX2, hatch 100% elétrico da marca chinesa, e um novo modelo eletrificado da própria Renault.
Com o aporte, as duas empresas somam R$ 5,35 bilhões investidos nas operações brasileiras entre 2025 e 2027.
Como funciona a parceria entre Geely e Renault
Na prática, a Geely passa a usar parte da estrutura que a Renault já mantém no Brasil, como a fábrica no Paraná e trechos da rede de concessionárias. A montadora chinesa detém 26,4% de participação na Renault Geely do Brasil, empresa criada para tocar a operação conjunta das duas marcas no país.
O acordo havia sido anunciado em novembro de 2025, quando a Renault já informara um aporte de 616 milhões de euros, cerca de R$ 3,66 bilhões, em seu complexo industrial no Sul do país. Em julho de 2025, quando o Geely EX5 estreou no Brasil, a produção nacional na fábrica de São José dos Pinhais já constava dos planos da parceria, o que confirma que o investimento vinha sendo desenhado há mais de um ano.
O Geely EX2, primeiro modelo a sair da linha
O EX2 é um hatch compacto totalmente elétrico, já vendido no Brasil e testado pelo g1 em julho, quando custava a partir de cerca de R$ 124 mil e figurava entre os elétricos mais vendidos do país. O modelo tem motor de 116 cavalos, tração traseira e recursos como controle de cruzeiro adaptativo e frenagem automática de emergência. A fabricação local deve ajudar a Geely a ampliar a oferta do carro no mercado nacional.
A aliança entre as duas montadoras não se limita ao Brasil. Desde 2024, Renault e Geely mantêm uma joint venture global para produzir motores e sistemas para veículos híbridos e a combustão, além da participação de 34% que a chinesa comprou, em 2022, na Renault Korea, operação da francesa na Coreia do Sul.
O movimento reforça a estratégia que a própria Renault havia detalhado em março, quando a marca francesa disse querer que elétricos e híbridos respondam por metade das vendas até 2030, após perder quase metade do market share no Brasil desde 2019 sob pressão das chinesas.
A Geely não é a única a apostar em fábrica própria no país: em março, a GAC também anunciou uma unidade brasileira para 2027, tornando o ano a virada da manufatura chinesa no setor automotivo nacional.