Política

Lula lança aliança global pelo multilateralismo antes da ONU

Manifesto com Canadá e Quênia cita recorde de conflitos e antecede discurso de Trump na ONU
Lula com faixa presidencial e Trump ao fundo da sala da ONU; Lula lança aliança pelo multilateralismo

Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia lançaram neste domingo (20) a iniciativa “Parceiros pelo Multilateralismo” (P4M), em manifesto publicado no jornal britânico Financial Times.

O documento, assinado por Lula, António Costa, Mark Carney e William Ruto, defende reformas nas instituições globais horas antes da abertura da Assembleia Geral da ONU, marcada para esta terça-feira (22).

O que propõe a nova coalizão

A P4M se define como uma estrutura flexível, aberta a países de diferentes regiões e tradições políticas dispostos a formar coalizões em torno de reformas concretas. O objetivo é apoiar mudanças na ONU e tornar as instituições multilaterais mais representativas, sem criar uma burocracia paralela.

Os quatro líderes justificam a iniciativa citando a fragmentação geopolítica atual: em 2025 foram registrados 65 conflitos armados entre Estados, o maior número desde 1946, enquanto os gastos militares mundiais bateram recorde de US$ 2,9 trilhões.

A aliança pretende articular respostas coordenadas a temas como inteligência artificial, mudanças climáticas, pandemias e choques financeiros — desafios que, segundo o manifesto, nenhum país consegue enfrentar sozinho. Não é a primeira vez que Lula usa o palco da ONU para essa defesa: no ano passado, o presidente brasileiro já havia defendido a reforma da ONU e o multilateralismo em discurso na Assembleia Geral, e o lançamento da P4M formaliza essa agenda em coalizão.

Discurso de Trump deve contrastar com o manifesto

O lançamento da P4M ocorre em meio à maior crise institucional da história da ONU, marcada por restrições financeiras, dificuldades para mediar conflitos e um impasse no Conselho de Segurança sobre o próximo secretário-geral, a três meses do fim do mandato de António Guterres.

Lula abrirá o debate geral da Assembleia nesta terça-feira (22) e deve reforçar a defesa do multilateralismo. Logo depois, discursará Donald Trump, em meio a reportagens do Wall Street Journal sobre uma possível sanção dos Estados Unidos ao Tribunal Penal Internacional. Na edição passada da Assembleia, Trump já havia criticado o globalismo no mesmo palanque em que Lula defendia a cooperação, e a repetição da sequência deve expor de novo o choque entre as duas visões.

O manifesto termina com um apelo direto: escolher entre renovar a cooperação multilateral ou ceder à fragmentação e à polarização que dominam o cenário internacional atual.