O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou neste domingo (6) na 17ª Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, ressaltando o aumento dos conflitos globais e criticando guerras em curso. Lula defendeu uma reforma urgente na governança internacional, especialmente no Conselho de Segurança da ONU, e condenou a corrida armamentista impulsionada por decisões recentes da Otan.
O evento reúne líderes de países do Sul Global para discutir temas como saúde, clima e inteligência artificial, com foco em fortalecer a cooperação e promover a paz mundial.
Reforma da governança global e críticas à ONU
Durante seu discurso, Lula afirmou que o mundo vive um “cenário global mais adverso”, com “número inédito de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial”. Ele destacou o colapso do multilateralismo e criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU, apontando perda de credibilidade e paralisia nas decisões. Segundo Lula, “cada dia que passamos com uma estrutura internacional arcaica e excludente é um dia perdido para solucionar as graves crises que assolam a humanidade”.
Lula também condenou o que chamou de “genocídio praticado por Israel em Gaza” e defendeu o estabelecimento de um Estado palestino soberano. O presidente brasileiro ressaltou que o governo denunciou violações à integridade territorial do Irã e da Ucrânia, e cobrou diálogo para um cessar-fogo na guerra na Ucrânia. Ele ainda criticou a decisão da Otan de aumentar gastos militares, afirmando que “é mais fácil destinar 5% do PIB para gastos militares do que alocar os 0,7% prometidos para Assistência Oficial ao Desenvolvimento”.
Prioridades e temas da cúpula
A presidência brasileira do Brics propôs como temas prioritários saúde, meio ambiente e inteligência artificial. O grupo busca fortalecer a cooperação em áreas como comércio, finanças e desenvolvimento sustentável. Mais de 100 reuniões preparatórias ocorreram entre fevereiro e julho, incluindo encontros de negociadores políticos e participação inédita da sociedade civil.
O Brics, formado por 11 países membros e parceiros, atua como fórum de articulação político-diplomática do Sul Global. Entre seus objetivos estão ampliar a influência desses países na governança internacional e promover inclusão social.
Desafios e bastidores do Brics
O grupo vive um de seus momentos mais delicados, com guerras em curso, disputas comerciais e novos integrantes com agendas fortes. Especialistas apontam que um dos desafios do Brasil é evitar uma guinada antiocidental no bloco, mantendo a neutralidade diante das posições de China e Rússia.
Durante o Fórum Empresarial do Brics, Lula defendeu o multilateralismo para superar desafios econômicos e propôs uma governança internacional para a inteligência artificial. O presidente também participou de reuniões bilaterais com líderes do bloco, reforçando compromissos e trocando presentes.
O evento no Rio de Janeiro marca a quarta vez que o Brasil sedia uma cúpula do Brics. Desta vez, Vladimir Putin participa remotamente e Xi Jinping enviou o premiê. A representatividade e diversidade do grupo são apontadas por Lula como fundamentais para promover a paz e prevenir conflitos, além de lançar as bases para uma governança internacional renovada.
Entre os avanços, destaca-se a defesa do Novo Banco de Desenvolvimento como principal agente de financiamento da industrialização do Sul Global e a assinatura de documentos conjuntos sobre financiamento climático e ética no uso da inteligência artificial.