Uma operação da Polícia Nacional do Paraguai resgatou cerca de 200 trabalhadores, muitos brasileiros, de um call center em Assunção nesta quinta-feira (18), sob suspeita de exploração trabalhista e tráfico internacional de pessoas.
A ação começou após uma brasileira denunciar ao Ministério de Relações Exteriores do Paraguai que havia sido recrutada por plataformas digitais para trabalhar na empresa, o que levou o Ministério Público paraguaio a abrir investigação.
A operação ocorreu em um prédio comercial de Assunção onde funcionava o call center alvo da investigação. Segundo a Polícia Nacional paraguaia, mais de 40% dos brasileiros encontrados no local estavam em situação migratória irregular no país.
Recrutamento via plataformas digitais
De acordo com o relato da denunciante, o recrutamento aconteceu por meio de plataformas digitais, com promessas de emprego na empresa. A partir dessa informação, investigadores passaram a apurar como os trabalhadores foram contratados e como entraram no território paraguaio.
O comissário principal da Polícia Nacional, Humberto Aquino, confirmou o percentual de estrangeiros em situação irregular. O Ministério do Trabalho do Paraguai apontou ainda que os brasileiros também estavam irregulares como trabalhadores formais no país.
Durante a operação, agentes apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos que serão periciados pelos investigadores, o que deve ajudar a esclarecer a cadeia de recrutamento e as condições de trabalho impostas aos funcionários.
O caso é investigado pelo Ministério Público do Paraguai como possível tráfico internacional de pessoas, com apuração sobre se os trabalhadores foram atraídos com informações falsas e submetidos a exploração no trabalho.
O esquema segue um roteiro já investigado pelo Ministério Público Federal brasileiro: em maio, a PGR denunciou quatro pessoas por recrutar brasileiros via redes sociais com falsas promessas de emprego para trabalho forçado em fraudes digitais no Camboja, mecanismo de aliciamento online semelhante ao apontado agora pelas autoridades paraguaias.
O resgate em Assunção ocorre em um momento de alerta crescente sobre o tema: em 2024, as autorizações de residência a vítimas de tráfico de pessoas no Brasil quase triplicaram, com o Ministério da Justiça registrando dezenas de casos de brasileiros explorados no exterior.