Política

PRF proíbe blitz que dificultem votação nas eleições de outubro

Nova portaria evita repetição das blitzes que bloquearam ônibus de eleitores em 2022
Fachada do TSE em perspectiva dramática, símbolo da proteção eleitoral contra a PRF blitz no dia da votação

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) publicou portaria que restringe a fiscalização, o policiamento e as blitzes em rodovias federais nos dias de votação das eleições de 2026, para evitar que as ações da corporação atrapalhem o deslocamento de eleitoras e eleitores.

A norma, publicada no Diário Oficial da União de terça-feira (15), vale para o primeiro turno, em 4 de outubro, e para o eventual segundo turno, em 25 de outubro, quando o país escolhe presidente, governadores, senadores e deputados.

O que muda na atuação da PRF

Segundo a portaria, a fiscalização nos dias de votação, que ocorre das 8h às 17h em todo o país, não poderá constituir obstáculo indevido ao deslocamento de eleitoras e eleitores até as urnas.

A norma determina ainda que a abordagem de veículos e condutores não seja usada para apurar infrações administrativas de trânsito que não representem risco concreto — ou seja, a PRF fica proibida de usar autuações de rotina como justificativa para parar carros e ônibus no dia da votação.

A regra é especialmente relevante para quem solicitou voto em trânsito nas Eleições 2026 e depende das estradas para votar fora do município de domicílio em 4 de outubro.

O precedente de 2022

A nova regra é uma resposta direta ao episódio ocorrido no segundo turno das eleições de 2022, quando a PRF descumpriu ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e parou pelo menos 610 ônibus que transportavam eleitores em blitzes realizadas no dia da votação.

Em dezembro de 2025, o então diretor-geral da PRF à época dos fatos, Silvinei Vasques, foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão por integrar organização criminosa que tramava um golpe de Estado. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Vasques usou a corporação para impedir o trânsito de eleitores em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha mais intenções de voto.

Ainda em 2022, Vasques teve a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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