O governo dos Estados Unidos afirmou, nesta quarta-feira (16), que o Brasil falhou no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), facções que Washington classificou como organizações terroristas em maio.
Em relatório anual enviado ao Congresso americano sobre tráfico de drogas no mundo, a Casa Branca cobra do governo Lula medidas enérgicas contra os grupos, apontados como ameaça à segurança mundial.
O que diz o documento ao Congresso
No relatório enviado nesta quarta-feira, a Casa Branca afirma que PCC e CV “representam uma ameaça crescente à paz e à segurança mundial” e cobra que o Brasil aja “antes que se expandam e se fortaleçam”. O texto integra o balanço anual que o governo americano produz sobre o combate ao narcotráfico no mundo.
A cobrança tem base na decisão de classificar as duas facções como organizações terroristas em maio, sem aviso prévio ao governo brasileiro. Em junho, a medida foi oficializada no Federal Register, com assinatura do secretário de Estado Marco Rubio, o que impôs sanções financeiras e restrições operacionais a qualquer entidade associada ao PCC e ao CV.
Tensão diplomática entre Brasília e Washington
A acusação amplia o atrito iniciado em maio, quando o governo Lula reagiu à inclusão das facções na lista de organizações terroristas dos EUA. Na ocasião, Lula rejeitou o rótulo e criticou a interferência americana, afirmando que “quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros”.
O novo relatório ao Congresso reacende essa disputa e deve pressionar o Itamaraty a se manifestar oficialmente sobre a cobrança. Segundo a nota divulgada nesta quarta, a reportagem segue em atualização, à espera de posicionamento do governo brasileiro sobre as exigências americanas.