O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), calculado pelo Banco Central e considerado a “prévia do PIB”, recuou 0,2% em julho na comparação com junho, após ajuste sazonal. É o primeiro resultado negativo depois de meses de expansão puxada por estímulos do governo.
Apesar da queda mensal, o indicador ainda avança 1,1% frente a julho de 2025 e acumula alta de 1,5% no ano e em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (16).
Desaceleração depois de meses de estímulo
Em ano eleitoral, o governo tem adotado medidas para aquecer o consumo e reduzir o endividamento das famílias — o que ajuda a explicar por que a economia vinha crescendo mês a mês até aqui. Entre as ações estão a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a liberação de saques do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito mais baratas.
No primeiro trimestre de 2026, o IBC-Br ainda avançava 1,3% puxado pelos mesmos estímulos fiscais do governo (leia também) — o recuo de julho pode ser o primeiro sinal concreto de que a estratégia de desaceleração do Banco Central está surtindo efeito.
A resposta da autoridade monetária a esse cenário tem sido clara: um ritmo menor de crescimento é necessário para conter as pressões inflacionárias. Na ata da última reunião do Copom, divulgada em agosto, o BC informou que o chamado “hiato do produto” segue positivo — ou seja, a economia continua operando acima do seu potencial sem pressionar a inflação.
O que o mercado espera para 2026
Analistas do mercado financeiro já trabalham com a hipótese de uma desaceleração mais ampla da economia brasileira ao longo do ano. A projeção é de uma expansão de cerca de 1,89% em 2026, ante um crescimento de 2,3% registrado em 2025.
Até fevereiro, o indicador acumulava cinco meses consecutivos de alta (relembre); a retração de julho marca uma virada no ritmo da atividade que o próprio Banco Central vinha sinalizando como parte do plano para conter a inflação.
Por que o IBC-Br não é o PIB oficial
Apesar de ser chamado de “prévia do PIB”, o IBC-Br segue metodologia própria do Banco Central, diferente da usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no cálculo oficial. O indicador incorpora estimativas para agropecuária, indústria e serviços, além de impostos, mas não considera o lado da demanda — variável que entra no cálculo do IBGE. Ainda assim, segue sendo uma das principais ferramentas usadas para calibrar a Selic.