A menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, o eleitorado no exterior atinge o maior nível já registrado nos Estados Unidos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 265 mil brasileiros estão aptos a votar no país, alta de 45% frente a 2022.
Mas o crescimento do colégio eleitoral esbarra em dois obstáculos: a decisão do Consulado-Geral do Brasil em Nova York de transferir a votação de Manhattan para o Queens, e o temor de eleitores diante do avanço de operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE).
Colégio eleitoral bate recorde nos Estados Unidos
O número de brasileiros aptos a votar no exterior chegou a 918,9 mil neste ano, avanço de 31,8% em relação aos 697,1 mil registrados em 2022, segundo o TSE. Os dados confirmam uma tendência já identificada pelo TSE em julho, quando os Estados Unidos apareceram como o maior colégio eleitoral fora do Brasil.
Nos EUA, o eleitorado saltou de cerca de 183 mil para 265 mil pessoas, um crescimento de 45%. Boston lidera, com 53,4 mil eleitores aptos, seguida por Miami (40.109) e Nova York (39.026) — que partiu de aproximadamente 28 mil eleitores em 2022.
Mudança de local em Nova York
Para reduzir riscos, o Consulado-Geral do Brasil decidiu transferir a votação de Manhattan para uma instituição de ensino no Queens, região com forte presença de imigrantes e alvo frequente de operações do ICE. O novo endereço fica a 16 quilômetros da sede consular e sem acesso direto ao metrô, o que já gerou reclamações e pedidos de reversão por parte de eleitores.
A escolha buscou permitir que as filas fiquem dentro do complexo educacional, evitando exposição nas calçadas. A Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e a polícia da cidade participaram do mapeamento de alternativas — o mesmo espaço já havia recebido a eleição presidencial peruana em abril.
Abstenção alta e domínio de Bolsonaro em 2022
Levar o eleitorado às urnas segue como principal desafio: em 2022, a abstenção entre brasileiros no exterior chegou a 63,36% no primeiro turno e 61,44% no segundo. A distância também pesa — moradores de Nova Jersey e da Pensilvânia precisam se deslocar até Nova York para votar, trajeto que pode passar de duas horas com a mudança para o Queens.
No pleito passado, Jair Bolsonaro obteve cerca de 65% dos votos válidos entre brasileiros nos Estados Unidos, com pico de 81,2% em Miami. Lula venceu em apenas três dos dez postos consulares do país, com melhor desempenho em São Francisco (60,1%).
A logística eleitoral no exterior tem sido reforçada desde abril, quando o TSE destinou R$ 13,2 milhões para a locação de imóveis que resultaram em 66 novos endereços de votação, 14 deles nos Estados Unidos.
Ainda assim, a distância entre diáspora e eleitorado formal é grande: dos 5,1 milhões de brasileiros que vivem fora do país, apenas cerca de 1 milhão está registrado para votar — nos EUA, a proporção é semelhante: de 2 milhões de brasileiros estimados, só 265 mil podem ir às urnas.