O Supremo Tribunal Federal segue sem conseguir intimar o deputado Mario Frias (PL-SP) sobre uma apuração preliminar que investiga irregularidades no uso de emendas parlamentares para financiar o filme Dark Horse.
Um oficial de Justiça fez múltiplas diligências, mas encontrou obstáculos em todas: o endereço de Brasília fornecido pela própria Câmara dos Deputados não pertence mais ao parlamentar há dois anos.
O gabinete do deputado, procurado por telefone em 13 de maio, informou que Frias estava em missão internacional sem previsão de retorno. Aliados o situavam no Bahrein até a última segunda-feira (18).
A apuração no Supremo
A investigação foi desencadeada por uma representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que pediu a apuração dos repasses feitos por Frias. Em 21 de março, o ministro Flávio Dino determinou que o parlamentar se manifestasse em cinco dias sobre os fatos.
No dia 14 de abril, o STF já registrava que três tentativas de intimação no gabinete parlamentar haviam fracassado. Dino então ordenou que a Câmara informasse os endereços do deputado em Brasília e São Paulo. As novas buscas, realizadas na semana passada, também não tiveram êxito — o oficial registrou ainda que um assessor de Frias estava com o celular sempre desligado.
As emendas e a ONG investigada
No centro da apuração estão R$ 2 milhões em duas emendas parlamentares destinadas por Frias à ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina Ferreira da Gama, também produtora do filme Dark Horse. A investigação apura se os recursos foram aplicados de forma irregular na execução do projeto.
A Câmara dos Deputados afirmou ao STF que analisou as emendas citadas por Tabata Amaral e não encontrou irregularidades. A área técnica da Casa ponderou que a fase de prestação de contas pelos beneficiários ainda está em curso e que os procedimentos observaram integralmente a legislação de regência.
O escândalo que coloca Frias na mira do STF ganhou força quando Flávio Bolsonaro (PL) confirmou ter cobrado pessoalmente de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, as parcelas atrasadas destinadas ao Dark Horse — como o senador admitiu publicamente ao revelar sua intermediação nas negociações. Vorcaro, que repassou cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso em Brasília, é o pivô financeiro do caso.
A dificuldade em ser encontrado vem dias depois de Frias ter recuado de sua versão inicial e admitido que uma empresa ligada a Vorcaro financiou o Dark Horse — reconhecimento que veio após negar publicamente o vínculo com o banqueiro.
A apuração que Frias tenta esquivar foi aberta em 15 de maio pelo ministro Flávio Dino, após denúncia de Tabata Amaral sobre emendas direcionadas a entidades ligadas à produtora do filme. O parlamentar ainda não prestou qualquer esclarecimento ao Supremo sobre os repasses.
