Os funcionários do Banco do Brasil aprovaram, nesta sexta-feira (11), a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) negociada com o banco, encerrando a greve na maior parte do país.
A paralisação, iniciada por tempo indeterminado na quinta-feira (10), segue apenas nas bases sindicais que rejeitaram o acordo, como Angra dos Reis e cidades da Bahia.
Segundo a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), o acordo foi aprovado em bases sindicais importantes, como Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Pernambuco, Porto Alegre, Mato Grosso, Florianópolis, Alagoas, ABC Paulista, Rondônia, Sergipe e Campinas. Cerca de 18 entidades rejeitaram a proposta.
O resultado inverteu o cenário da véspera. Na quinta-feira, quando a greve começou, o movimento estava concentrado justamente nas bases que haviam recusado o acordo — entre elas Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis. Menos de 24 horas depois, novas assembleias aprovaram a proposta nessas regiões.
O que muda com o acordo
O texto aprovado prevê o crédito da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em até 72 horas após a assinatura do ACT, um reconhecimento financeiro de R$ 3 mil para o público da Campanha de Adimplência 2026 e avanços no Plano de Carreira e Remuneração (PCR). Também amplia a licença-paternidade para 35 dias e inclui o abono da paralisação realizada em 20 de agosto.
A negociação bancária ocorre em dois níveis. A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que vale para toda a categoria e foi assinada na quarta-feira (9) pela Fenaban, garante reposição integral da inflação pelo INPC e aumento real de 0,6% em dois anos para os 414 mil bancários de 171 bancos do país. Já o Banco do Brasil negocia separadamente cláusulas específicas por meio do ACT — foi essa etapa que gerou a greve.
Para Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB, o resultado é fruto de um ciclo de negociação marcado por participação e mobilização dos trabalhadores.
Nas bases que mantiveram a rejeição, como Angra dos Reis e entidades da Bahia, a greve continua e a expectativa é de novas assembleias nos próximos dias — parte dos sindicatos defende a reabertura das negociações, enquanto outros avaliam formas de pressionar por mudanças na proposta.
Caixa vive cenário oposto
Enquanto os bancários do BB chegam a um acordo na maior parte do país, a Caixa Econômica Federal vive o cenário oposto: seus funcionários seguem em greve nacional por tempo indeterminado após rejeitar a proposta do banco na mesma semana.
Segundo a Contraf-CUT, mais de 90% das bases sindicais recusaram a proposta da Caixa, que trata separadamente do Saúde Caixa e de outras reivindicações. O banco afirma manter o diálogo aberto, mas avisou que pode ingressar com dissídio coletivo caso não haja acordo dentro do prazo, levando a decisão para a Justiça.