Funcionários da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado, após rejeitarem a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pelo banco.
No Banco do Brasil, a paralisação é parcial e atinge somente as bases sindicais que não aprovaram a nova Convenção Coletiva de Trabalho assinada nesta quarta-feira (9) pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
O que prevê o novo acordo coletivo
A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária foi assinada nesta quarta-feira (9), em São Paulo, pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e por representantes dos trabalhadores. O texto garante a reposição integral da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), somada a um aumento real de 0,6% por dois anos consecutivos.
O reajuste também alcança vale-alimentação, vale-refeição, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e auxílios da categoria. Entre as cláusulas negociadas estão medidas de prevenção ao adoecimento mental, combate ao assédio no ambiente de trabalho, direito à desconexão fora do expediente e regras de transparência para o monitoramento digital dos funcionários.
Por que o Banco do Brasil tem greve parcial
A CCT foi aprovada por parte das entidades sindicais, mas rejeitada por outras 60, incluindo as bases de Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis — justamente onde ocorre a paralisação no Banco do Brasil. Em nota, o banco informou que participa da mesa única de negociação da Fenaban, além de manter uma mesa específica com os sindicatos para tratar de demandas próprias dos funcionários do BB.
Impasse na Caixa segue sem solução
Na Caixa, a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho foi rejeitada por mais de 90% das bases sindicais em assembleias realizadas em todo o país, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Na terça-feira (8), o banco convocou a entidade para uma nova rodada de negociação, realizada na quarta-feira (9), e marcou outra reunião para a manhã desta quinta-feira.
Entre os pontos de maior discordância está o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados, além de outras reivindicações apresentadas pelos trabalhadores desde junho. Segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), a paralisação deve continuar até que novas assembleias avaliem eventuais avanços nas tratativas.
A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, afirmou que a negociação da CCT garantiu aumento real por dois anos e manteve cláusulas já conquistadas pela categoria. Segundo ela, os próximos temas de negociação incluem a aplicação da NR-1, o combate a metas consideradas abusivas e a busca por ambientes de trabalho mais saudáveis. A Caixa e a Febraban foram procuradas pela reportagem e ainda não responderam.