Economia

PF revela mensagens em que Vorcaro diz que Master ‘nunca’ seria dele

Documento da PF também detalha os R$ 146 milhões em imóveis dados como propina e o codinome 'Vértice' usado na negociação com o BRB.
Mensagens de Vorcaro sobre Master reveladas pela PF: empresário ao microfone com logotipo do banco ao fundo

Um relatório da Polícia Federal divulgado na noite de quinta-feira (10) revela mensagens de WhatsApp em que o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa garante a Daniel Vorcaro que o Master seria sempre dele, mesmo após a venda ao banco público.

A troca de mensagens, de abril de 2025, integra o inquérito do caso Master no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, e reforça a suspeita de que Vorcaro manteria controle de fato do banco mesmo após a fusão barrada pelo Banco Central.

‘Sinta como se fosse seu’: as mensagens que sustentam a acusação

Na conversa de 18 de abril de 2025, Paulo Henrique avisou que pretendia visitar a sede do Master, em São Paulo. Vorcaro respondeu: ‘vamos resolver… sinta como se fosse seu o banco’. Para a PF, a frase comprova que Paulo Henrique se comprometera a atender aos interesses de Vorcaro, garantindo que o controle de fato do Master permanecesse com o próprio dono mesmo após a venda ao BRB.

O codinome ‘Vértice’

Mensagens de janeiro de 2025 mostram Paulo Henrique enviando a Vorcaro a minuta do acordo de confidencialidade entre as instituições. Ao ser questionado se queria ‘batizar o projeto’, Vorcaro respondeu: ‘você é o capitão’. Paulo Henrique sugeriu então o nome Vértice — ‘como o ponto de encontro e forças para algo novo, relevante, transformador’ — codinome que a operação de fato recebeu dentro do BRB.

Apartamentos de R$ 146 milhões

O relatório também detalha as conversas sobre os seis apartamentos que, segundo a investigação, Paulo Henrique receberia do Master como propina, avaliados pela polícia em cerca de R$ 146 milhões. As mensagens divulgadas nesta quinta fazem parte do mesmo conjunto de diálogos que, em maio, já haviam revelado Vorcaro chamando Costa de ‘gigante’ enquanto os dois negociavam os imóveis.

Contradições na acareação

Em janeiro deste ano, a PF promoveu uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique para checar contradições sobre as carteiras de crédito da empresa Tirreno, vendidas pelo Master ao BRB sem lastro. Costa alegou que Vorcaro prometera vender carteiras do próprio Master, não de terceiros duvidosos; Vorcaro rebateu dizendo que sempre deixou claro que os ativos eram de terceiros. Documentos internos do BRB, porém, indicam que o banco público sabia da origem das carteiras e mesmo assim seguiu com a operação.

Paulo Henrique está preso preventivamente desde abril, na Operação Compliance Zero. A PF o deteve em Brasília na fase da investigação que apura justamente os negócios entre o BRB e o Master que as mensagens agora públicas ajudam a esclarecer. Os mesmos imóveis citados nas conversas já haviam aparecido em abril, quando a PF revelou que Costa chegou a levar a esposa para visitá-los. Ele tentou fechar um acordo de delação premiada com a PGR, mas não obteve sucesso. O ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB), sob quem Costa presidiu o BRB, afirma ter confiado no trabalho do ex-aliado.

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