O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (12) que o governo precisa investir para gerar empregos e criticou a busca por superávit fiscal, classificando a prática de ‘babaquice’.
A declaração foi dada em comício em Curitiba (PR), onde Lula, candidato à reeleição no pleito de outubro, intensifica a campanha rumo às eleições de 2026.
Contradição com o próprio plano de governo
A fala de Lula contraria o plano de governo do PT registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que promete uma ‘política fiscal responsável’ como caminho para impulsionar investimentos produtivos e reduzir a taxa de juros no longo prazo.
Em entrevista à TV Globo no fim de agosto, o próprio presidente havia garantido que o país terá superávit e prometido uma ‘revolução tecnológica’ baseada em investimentos em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, principal voz da equipe econômica na campanha, repetiu nas últimas semanas que o governo buscará retomar o superávit a partir de 2027, caso Lula seja reeleito. A proposta de orçamento enviada ao Congresso projeta saldo positivo de R$ 18,6 bilhões, após um mandato inteiro com as contas no vermelho.
Preocupação com juros e dívida pública
Analistas de mercado avaliam que os déficits fiscais recorrentes dos últimos anos pressionam a taxa de juros e o endividamento público. Para eles, reduzir a Selic, hoje em 14% ao ano, depende de um ajuste fiscal mais consistente, já que os juros de longo prazo refletem as expectativas dos investidores sobre gastos públicos e inflação.
A dívida pública brasileira atingiu 82% do PIB em junho, o maior patamar desde a pandemia, com alta de mais de 10 pontos percentuais durante o atual mandato de Lula. O próprio Ministério da Fazenda já havia anunciado ao Congresso, cinco meses atrás, um pacote de medidas de arrecadação para garantir superávit a partir de 2027 — o mesmo objetivo que o presidente classificou de ‘babaquice’ neste sábado.
A fala em Curitiba segue um padrão: em março, Lula já havia pressionado publicamente o Banco Central ao dizer estar ‘triste’ com o ritmo de corte da Selic, sinalizando desconforto recorrente com a política conduzida por sua própria equipe econômica.