Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, admitiu em depoimento à Polícia Federal ter bancado uma viagem à Disney, nos Estados Unidos, para a família de Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do Banco Central.
O depoimento foi prestado na sexta-feira (28) e integra o inquérito que apura se Paulo Sérgio e a ex-chefe de departamento Bellini Santana receberam vantagens indevidas para atuar em favor do Master.
Apesar de reconhecer o chamado agrado, Vorcaro negou ter pago propina aos dois servidores.
O que Vorcaro disse à PF
Segundo o depoimento, ao qual a TV Globo teve acesso, o ex-banqueiro tratou o custeio da viagem como uma cortesia pessoal a Paulo Sérgio, e não como pagamento por favores. Ele negou qualquer ato de corrupção envolvendo os dois servidores citados no inquérito.
Paulo Sérgio era ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área de supervisão bancária. Os dois foram afastados em março pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, depois que a terceira fase da Operação Compliance Zero expôs o esquema de consultoria ilegal que os vinculava ao banqueiro.
As investigações apontam que os servidores davam orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios do BC envolvendo o Master, revisavam documentos enviados pelo banco e vazavam informações para que Vorcaro se antecipasse a medidas da autoridade monetária.
Contexto da prisão e da defesa
Vorcaro está preso preventivamente desde março. Antes disso, havia sido detido na primeira fase da Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A oitiva desta sexta ocorreu dias depois de a PF confirmar que colheria o depoimento do ex-banqueiro para apurar as suspeitas de propina ligadas ao Master.
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que esta foi a primeira oportunidade dada a ele para se manifestar diretamente sobre parte dos fatos apurados. Os advogados disseram que o ex-banqueiro respondeu “de forma clara e consistente” às perguntas e reafirmou não ter havido corrupção envolvendo os servidores do BC.