Política

CCJ do Senado aprova texto-base da PEC da Segurança

Sem analisar destaques, proposta que cria ministério de Lula ainda não vai ao plenário nesta quarta
Davi Alcolumbre discursa no Senado durante votação da PEC da Segurança no Senado Federal

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) o texto-base da PEC da Segurança Pública, seis meses depois de receber a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados.

A votação foi simbólica, mas os senadores encerraram a reunião sem analisar três destaques do texto, o que impede o envio da proposta ao plenário do Senado ainda nesta quarta-feira.

O parecer do senador Rogério Carvalho (PT-SE) manteve integralmente o texto que veio da Câmara dos Deputados, incluindo a criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição. A proposta obriga União, Estados e Distrito Federal a colaborar no combate ao crime organizado, com forças-tarefa intergovernamentais e regras comuns para polícias e guardas municipais.

“É preciso colocar os entes federados e as forças de segurança pública para colaborarem entre si, não para competirem”, escreveu Carvalho no parecer lido na CCJ.

O que a PEC muda no combate a facções

O texto endurece o tratamento dado a organizações criminosas, milícias e grupos paramilitares: prevê prisão obrigatória em presídios de segurança máxima, restringe a progressão de regime e a liberdade provisória nesses casos e autoriza a expropriação de bens ligados às atividades ilícitas.

Em março, a Câmara aprovou o texto por 487 votos a 15, sem incluir a redução da maioridade penal — o mesmo conteúdo que Carvalho decidiu preservar agora no Senado.

A demora de seis meses para a CCJ analisar a proposta tem explicação política: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), segurava a pauta desde março e só liberou a votação após acordo direto com o Palácio do Planalto.

Para Lula, aprovar a PEC é pré-requisito para cumprir uma promessa da campanha de 2022: criar o Ministério da Segurança Pública, com atuação federal mais direta contra o crime organizado nos estados.

Mesmo assim, o texto não deve chegar ao plenário tão cedo. O Senado está em semana de esforço concentrado e prioriza, por ora, a votação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1. O Congresso também reduziu o ritmo por causa do calendário eleitoral, e os parlamentares só devem voltar a se dedicar às campanhas na próxima semana.

O caminho até aqui foi longo: a CCJ da Câmara já havia aprovado a proposta em julho de 2025, após debate sobre a competência da União para legislar em segurança pública — discussão que ajudou a moldar o texto que agora tramita no Senado.

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