Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (31) o pacote Ranchers First Initiative, voltado a pecuaristas americanos, dez dias depois de ampliar por 90 dias a cota de importação de carne bovina.
Apresentado pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins, o plano libera crédito a pequenos frigoríficos, amplia áreas de pastagem e prioriza a carne americana em compras do governo.
A medida busca reconstruir o rebanho bovino do país, no menor nível em 75 anos, em meio à alta dos preços da carne e à pressão do governo Trump para baratear o alimento ao consumidor.
Crédito, pasto e prioridade na compra pública
O rebanho bovino americano encolheu nos últimos anos por causa de secas recorrentes e da redução das áreas disponíveis para criação. Com menos animais para abate, a oferta caiu e os preços da carne subiram nas prateleiras dos Estados Unidos.
Para reverter o quadro, o pacote amplia o acesso a crédito para pequenos frigoríficos, na tentativa de reduzir a concentração do processamento de carne no país. Também prevê incentivos para que escolas, hospitais e presídios comprem mais carne produzida em solo americano.
Outra frente libera o uso de áreas de conservação atingidas por incêndios e desastres naturais para pastagem, ampliando o espaço disponível aos pecuaristas em um momento de disputa por terra e insumos.
A iniciativa é anunciada dez dias depois de Trump flexibilizar por 90 dias as cotas de importação de carne bovina para moída, frente de curto prazo para conter os preços que agora convive com o plano de reconstrução do rebanho americano.
O anúncio expõe um dilema do governo americano: ao mesmo tempo em que tenta segurar os preços com mais carne importada, também busca aumentar a produção doméstica e, no futuro, reduzir a dependência externa. Uma maior concorrência com a carne estrangeira pode pesar sobre a remuneração dos pecuaristas justamente quando o governo tenta convencê-los a ampliar os rebanhos.
O Brasil é um dos principais fornecedores de carne bovina aos Estados Unidos, e por isso é diretamente afetado pelos rumos da política americana. A abertura recente do mercado favorece os exportadores brasileiros no curto prazo, mas o plano de reconstrução do rebanho sinaliza a intenção de reduzir essa dependência adiante.
O governo Trump também pressiona os grandes frigoríficos que atuam no país, entre eles as brasileiras JBS e MBRF, defendendo maior concorrência no processamento de carne. Já em maio, Trump havia assinado decretos para suspender temporariamente as cotas tarifárias e ampliar o crédito a pecuaristas, primeiros movimentos do governo americano diante da crise do rebanho.