O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar nesta segunda-feira (11) uma série de decretos para ampliar as importações de carne bovina e conter a alta dos preços no varejo americano. A informação foi confirmada por um funcionário da Casa Branca à agência Reuters.
O anúncio ocorre em um cenário crítico: o rebanho bovino dos EUA atingiu o menor nível em 75 anos, e os preços da carne seguem em trajetória de alta, pressionando consumidores em todo o país.
O que preveem os decretos
Segundo o The Wall Street Journal, Trump deve suspender temporariamente as cotas tarifárias para a carne bovina importada, permitindo a entrada de um volume maior do produto nos EUA com alíquotas reduzidas. O governo não antecipou valores ou prazos para a medida.
O pacote inclui também a orientação à Small Business Administration para ampliar o crédito disponível a pecuaristas americanos, com o objetivo de incentivar a recomposição do rebanho bovino nacional.
Uma terceira frente, menos esperada, é a redução das proteções garantidas pela Lei de Espécies Ameaçadas a lobos-cinzentos e lobos mexicanos. A medida responde à pressão de produtores rurais do oeste americano, que relatam perdas de gado por ataques desses predadores.
O conjunto de ações reflete a dimensão da crise: com o rebanho bovino americano no nível mais baixo desde o início dos anos 1950, a oferta interna está comprometida e qualquer choque de demanda pressiona ainda mais os preços ao consumidor.
A abertura das importações é a segunda frente da administração Trump para derrubar os preços da carne. Dias antes, o governo havia anunciado recompensa de até US$ 1 milhão por informações de conluio contra JBS, Marfrig, Cargill e Tyson — empresas que controlam mais de 80% do processamento bovino americano.
A mudança nas cotas chega em momento estratégico para o Brasil. Com a China se aproximando do limite de sua cota tarifária para carne brasileira e risco de queda de 10% nas exportações em 2026, o mercado americano surge como possível destino alternativo para frigoríficos brasileiros que perderão espaço no mercado asiático a partir de junho.
Como maior exportador mundial de carne bovina, o Brasil seria um dos beneficiários diretos da suspensão das cotas tarifárias americanas. A combinação de rebanho americano em queda, preços altos no varejo e disputa judicial interna no setor cria uma abertura comercial incomum para o agronegócio nacional.
