Economia

Trump avalia frear regras da carne bovina após pressão de pecuaristas

JBS e MBRF, donas de parte do setor nos EUA, veem tarifas caírem em meio a debate sobre monopólio da carne
Trump ao lado de corte de carne marmorizado, representando debate sobre regras da carne bovina EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (26) que vai avaliar se há regulamentação excessiva nas fábricas de processamento de carne bovina no país.

A declaração veio após o apresentador Glenn Beck pedir que Trump enfrentasse o que chamou de cartel do setor de carnes, dominado por poucas processadoras nos Estados Unidos.

Duas das quatro maiores empresas do setor, JBS USA e National Beef, pertencem às brasileiras JBS e MBRF, hoje sob investigação do Departamento de Justiça por suspeita de cartel.

Concentração de mercado no centro do debate

Quatro empresas controlam cerca de 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos: Cargill, Tyson Foods, JBS USA e National Beef Packing Co. Juntas, JBS e MBRF comandam duas dessas gigantes, o que torna o capital brasileiro peça central do debate regulatório americano.

Beck pediu a Trump que analisasse o que classificou como um cartel do setor de processamento de carne e defendeu que menos regras do Departamento de Agricultura permitiriam que pecuaristas de menor porte fizessem seus próprios abates.

A pressão sobre as processadoras não é nova. Em maio, o governo Trump lançou uma megainvestigação contra a JBS por suspeita de cartel, revisando mais de 3 milhões de documentos das quatro empresas que hoje dominam o setor. No ano passado, o Departamento de Justiça já apurava se as companhias elevavam ilegalmente os preços para os consumidores.

Reação de pecuaristas e impacto nos preços

A redução tarifária anunciada por Trump — que promete carne até 25% mais barata — foi criticada pela American Farm Bureau Federation. Em carta enviada na terça-feira (25), o presidente da entidade, Zippy Duvall, pediu que o plano fosse reconsiderado, alegando que a medida “prejudicará os pecuaristas… dos Estados Unidos”.

A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, disse na terça-feira que não sabia quais países seriam beneficiados pelo anúncio. A incerteza ocorre dias depois de Trump flexibilizar por 90 dias as cotas de importação de carne bovina moída, medida que já dividia a Casa Branca e o setor pecuarista.

Os preços seguem em alta: segundo o Bureau of Labor Statistics, a libra de carne moída custava US$ 6,82 em junho, alta de 79% em relação ao início de 2019 — o pano de fundo que pressiona Trump a agir sobre tarifas e regulamentação.

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