O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez um pronunciamento nesta quinta-feira (16) sobre a nova tarifa de 25% que os Estados Unidos vão aplicar a produtos brasileiros a partir de 22 de julho.
A medida foi anunciada pelo governo americano na noite de quarta-feira (15) e deve atingir parte das exportações do país, embora preserve boa parte dos itens que mais rendem receita nas vendas ao mercado dos EUA.
O que disse o chanceler
Durante a fala, transmitida ao vivo pelo Itamaraty, Vieira classificou a tarifa como fruto de motivação política e sem justificativa econômica. Segundo ele, o governo brasileiro manteve 11 contatos diretos com os representantes americanos Marco Rubio e Jamieson Greer antes do anúncio, sem que a medida fosse revertida.
O pronunciamento ocorreu horas depois de o presidente Lula convocar ministros ao Planalto para alinhar a resposta do governo ao tarifaço, sinalizando que Brasília trabalha para costurar uma reação conjunta antes da entrada em vigor da tarifa, em 22 de julho.
Mais tarde no mesmo dia, o ministro Márcio Elias Rosa detalhou que a nova alíquota deve atingir 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, recorte que reforça a leitura de que a maior parte da pauta exportadora ficará fora do novo tarifaço.
Como fica a relação comercial
A tarifa é vista por integrantes do Itamaraty como um golpe pontual, já que itens de maior peso na pauta de exportação, como petróleo, aeronaves e minério de ferro, não estão entre os afetados pela sobretaxa. Ainda assim, setores como carne, café e produtos siderúrgicos devem sentir o impacto já a partir de 22 de julho.
O anúncio eleva a pressão sobre o governo Lula às vésperas da campanha eleitoral de 2026, com integrantes do Planalto avaliando se a resposta brasileira passará por medidas de reciprocidade comercial ou pela via diplomática, com base em regras da Organização Mundial do Comércio. A expectativa é que o Itamaraty detalhe os próximos passos nos próximos dias.