O desmatamento na Amazônia voltou a crescer em julho, após quatro meses de queda, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 1.200 km² desmatados, aumento de 15% em relação a junho. No acumulado de agosto de 2024 a julho de 2025, o bioma perdeu mais de 4 mil km², 4% a mais que no período anterior, mas ainda é o segundo menor índice desde 2016.
Dados recentes e impactos ambientais
Segundo o Inpe, o desmatamento em julho atingiu 1.200 km², um crescimento de 15% frente a junho, quando foram registrados 1.043 km². Especialistas alertam que esse avanço pode agravar as mudanças climáticas e prejudicar a biodiversidade da região. O governo atribui parte do aumento à seca, tornando a floresta mais vulnerável ao fogo e facilitando a degradação.
De agosto de 2024 a julho de 2025, os alertas de desmatamento somaram mais de 4 mil km², área equivalente a quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Apesar do aumento de 4% em relação ao período anterior, o índice ainda é o segundo menor desde o início da série histórica em 2016.
Comparativo com outros biomas
No Cerrado, houve uma queda de 21% nos alertas de desmatamento nos últimos 12 meses, com a área desmatada passando de 7 mil para 5,5 mil km².
Monitoramento e fiscalização
O Inpe utiliza dois sistemas para monitorar o desmatamento: o Deter, que faz detecção em tempo real, e o Prodes, que detalha melhor as áreas afetadas, com divulgação anual. O Deter serve de guia para ações rápidas de fiscalização, enquanto o Prodes quantifica a área total perdida. “O Prodes quantifica o total de área que foi perdida de vegetação nativa. O Deter vai dizer onde estão acontecendo hoje as principais atividades de desmatamento, para fiscalização”, explica Silvana Amaral, pesquisadora do Inpe.
Reações e desafios no combate ao desmatamento
O governo anunciou reforço na fiscalização e ações para conter a derrubada ilegal de árvores na Amazônia. André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, pondera: “Dizer que é 4% em relação ao ano passado, que é uma queda de mais de 45% em relação aos anos anteriores. Então, nós estamos comparando um ano com um ano cujo desmatamento já foi baixo. Então, foi um pequeno repique de 4%, agravado pelos incêndios do ano passado que também foram uma novidade”.
O Observatório do Clima, que reúne 133 organizações ambientalistas, destaca a importância da fiscalização, pois quem lucra com o desmatamento tem mudado de perfil e usado o fogo como aliado. “Você precisa agora atuar contra os incêndios florestais. Isso o governo já percebeu, já está correndo atrás disso. É muito mais difícil você pegar um incendiário do que pegar um desmatador. Então, isso vai exigir um novo salto de inteligência dos órgãos ambientais”, afirma Cláudio Ângelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima.