Negócios

DFM estreia no Brasil com hatch e SUV elétricos para enfrentar BYD e GWM

Marca chinesa da DongFeng abre 60 concessionárias em 22 estados e promete produção nacional com híbridos plug-in
SUV elétrico chinês no Brasil: montadoras chinesas disputam mercado com modelos elétricos modernos

A DongFeng, montadora chinesa fundada em 1969, anunciou nesta quarta-feira (26) o início de suas operações no Brasil sob a marca DFM, com rede de 60 concessionárias já autorizadas em 22 estados e no Distrito Federal.

A primeira loja abre em Curitiba (PR) e a companhia começa vendendo só carros elétricos: o hatch Box e o SUV Vigo, que miram concorrentes como BYD e GWM no Brasil.

Box e Vigo: os primeiros modelos da marca

O DFM Box chega para disputar o segmento mais aquecido dos elétricos no país. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o BYD Dolphin vendeu 24.546 unidades entre janeiro e julho de 2026 e é um dos três modelos a bateria mais vendidos do Brasil — ainda que posicionado numa faixa de preço acima da do concorrente chinês recém-chegado.

O Box tem motor elétrico no eixo dianteiro, com 95 cv de potência, 16 kgfm de torque e bateria de 43,8 kWh. O desenho segue a cartilha comum às marcas chinesas, com luzes diurnas em LED finas, faróis discretos e traseira em linhas retas — visual que lembra o Hyundai HB20 sem repetir suas pontas marcadas. Maçanetas embutidas na carroceria ajudam na aerodinâmica e na autonomia da bateria. No painel digital, o layout lembra o do BYD Dolphin, mas com tela quadrada em vez de retangular.

Vigo mira o Creta e rivais elétricos

Já o Vigo tem porte próximo ao do BYD Yuan Pro e do GWM Ora 5, mas visualmente se aproxima do Hyundai Creta entre os modelos a combustão. É mais potente que o Box, com 165 cv, 23 kgfm de torque e bateria de 51,8 kWh. Por dentro, ganha carregador de celular por indução, porta-malas elétrico e um painel minimalista encaixado entre dois vincos na parte frontal, com acabamento mais sóbrio, sem a textura que imita costuras usada no hatch.

Uma entrada tardia num mercado já disputado

A DFM chega ao Brasil depois de rivais chinesas que já avançaram no setor elétrico nacional. A GWM, rival direta do Vigo no segmento de SUVs elétricos, já produz veículos localmente em Iracemápolis (SP) desde agosto de 2025 — vantagem que a DFM ainda levará anos para alcançar com sua prometida fabricação nacional. A promessa também segue o roteiro da GAC, que em março de 2026 confirmou fábrica em Catalão (GO) com capacidade para 50 mil veículos por ano a partir de 2027.

A concorrência também vem de outra estreante: a Geely, que desembarcou no Brasil em 2025 com o EX5 mirando o mesmo nicho de SUVs elétricos compactos em que o Vigo vai disputar espaço.

Fundada em 1969 em Wuhan, a DongFeng é uma das maiores montadoras da China, com 127 mil funcionários e 1,2 milhão de veículos vendidos fora do país, em quase 100 mercados. Por lá, fabrica também modelos de marcas como Nissan, Peugeot, Citroën, Honda, Jeep e Kia, além de manter divisões próprias como Voyah e Mhero — estrutura de subsidiárias por segmento que a empresa pretende repetir no Brasil. O próximo passo da operação nacional deve ser a chegada de híbridos plug-in, ampliando o portfólio hoje restrito aos elétricos puros.

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