As vendas de automóveis no mercado doméstico da China caíram 21,1% em julho de 2026 na comparação anual, o décimo mês consecutivo de queda, segundo a Associação de Automóveis de Passeio da China (CPCA).
Enquanto o mercado interno perde força, as montadoras chinesas aceleram a exportação: mais de 180 mil veículos chineses chegaram ao Brasil entre janeiro e julho, 52,4% de tudo que o país importou no período.
Por que o mercado interno da China perde força
Nos primeiros sete meses de 2026, as vendas domésticas de veículos de passeio acumulam queda de 20,5%, cerca de 2,65 milhões de unidades a menos do que no mesmo período de 2025. Segundo Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA, o aumento dos preços dos combustíveis prejudicou os carros a gasolina, enquanto a demanda por sedãs de entrada também perdeu força.
O cenário é diferente para os elétricos e híbridos plug-in: as exportações desses modelos cresceram 147,8% em julho, mesmo com queda de 3,9% nas vendas internas dentro da China. A BYD, maior fabricante mundial de elétricos, sentiu o mercado doméstico mais fraco, mas registrou recorde de remessas internacionais no mês, no terceiro mês seguido de alta nas vendas globais. A chegada da empresa ao Brasil já gerou disputa regulatória: em 2025, Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota pressionaram o governo para barrar a redução de impostos pedida pela BYD, enquanto Brasília tentava equilibrar os interesses da indústria nacional com a chegada das marcas asiáticas.
Para escapar da concorrência interna, as montadoras chinesas também passaram a produzir mais perto dos mercados consumidores. A Geely fechou acordo com a Ford para fabricar SUVs elétricos em uma fábrica da montadora americana na Espanha, ampliando o acesso ao mercado europeu.
O que muda no mercado brasileiro
No Brasil, a entrada de marcas chinesas deve continuar: sete novas marcas — entre elas iCAUR, Lepas, Luxeed e Freelander — têm planos de chegar ao país até 2028, segundo levantamento do g1. A movimentação acompanha o avanço dos eletrificados: os emplacamentos de elétricos e híbridos cresceram 120,8% no acumulado até julho, e no próprio mês esses modelos já responderam por 23,5% das vendas de veículos no país.
A maior concorrência já pressiona os preços: segundo a Bright Consulting, o valor médio dos veículos zero quilômetro teve queda real de 1,5% em 2026, descontada a inflação.
Analistas do Deutsche Bank avaliam que a segunda metade do ano deve seguir difícil para as montadoras chinesas, com pressão sobre as margens por causa do aumento das promoções e dos custos de componentes como baterias de lítio e semicondutores — mesmo com as exportações batendo recordes.