O PSOL levou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação contra Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência, questionando a legalidade da venda da mineradora Serra Verde Group a uma empresa americana.
Os deputados Sâmia Bomfim (SP), Fernanda Melchionna (RS) e Glauber Braga (RJ) protocolaram o pedido na quarta-feira (22) e exigem a anulação imediata de todos os atos ligados ao negócio, incluindo contratos e pagamentos, sob alegação de violação de princípios constitucionais.
O negócio em disputa é a aquisição da Serra Verde Group pela empresa americana USA Rare Earth (USAR), anunciada na segunda-feira (20) e avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões — uma combinação de US$ 300 milhões em dinheiro e cerca de 126,8 milhões de novas ações ordinárias emitidas para os acionistas brasileiros.
A Serra Verde controla a mina de Pela Ema, em Goiás, única produtora em larga escala, fora da Ásia, dos quatro elementos de terras raras magnéticas essenciais para a fabricação de imãs usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa.
O que o PSOL pede à PGR
Além da anulação do negócio, os parlamentares querem que a conduta de Caiado seja apurada para verificar se houve extrapolação de competências constitucionais pelo ex-governador. O partido também solicita informações dos ministérios de Minas e Energia e de Relações Exteriores para esclarecer se a União autorizou a operação.
O acordo já foi formalizado como definitivo entre as partes, mas a conclusão operacional está prevista para o terceiro trimestre de 2026. A compra da Serra Verde pela USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões conta ainda com financiamento público americano: em janeiro, a USAR obteve um pacote de US$ 1,6 bilhão do governo dos EUA; em fevereiro, a própria Serra Verde fechou acordo de US$ 565 milhões com Washington.
A representação recai sobre Caiado em momento politicamente sensível. O governador de Goiás acaba de formalizar sua pré-candidatura à Presidência pelo PSD, tornando o caso um fator de atrito logo no arranque de sua campanha nacional.
O peso estratégico do ativo amplifica o debate. Segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta mundial de terras raras pesadas fora da China até 2027 — o que transforma a mina goiana em peça-chave na disputa global por minerais críticos para a transição energética e a indústria de defesa.
O envolvimento direto do governo americano no financiamento das duas empresas — tanto compradora quanto vendedora — reforça o caráter geopolítico da operação e sustenta o argumento dos deputados de que a negociação exigiria anuência formal da União brasileira antes de ser concluída.
