Política

União detém o subsolo, diz ministro ao rebater acordo de Goiás com EUA

Márcio Elias Rosa aponta vício de inconstitucionalidade no memorando com Washington e cobra regulamentação federal urgente sobre minerais
Lula e Ronaldo Caiado em confronto sobre acordo Goiás EUA terras raras inconstitucional

O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta sexta-feira (24) que o memorando de entendimento firmado entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para a exploração de terras raras tem vício de inconstitucionalidade e “não se sustenta”.

Para o ministro, o subsolo do território nacional pertence à União — e só o governo federal pode negociar esse tipo de acordo com países estrangeiros.

A declaração foi dada ao Canal Gov e é a primeira manifestação pública do Executivo federal sobre o acordo que envolve financiamento bilionário americano para exploração de minerais críticos no estado.

O argumento constitucional contra o acordo

Rosa foi direto ao apontar o problema jurídico da parceria firmada pelo governador Ronaldo Caiado com Washington: “A competência para regulamentar é da União. Esse subsolo pertence à União. E nós temos uma regra constitucional que defere ao poder central esse papel de interlocução com outros países. O interesse nacional não pode ser gerido localmente”, afirmou.

A declaração é uma resposta direta à aquisição de US$ 2,8 bilhões da mineradora Serra Verde por uma empresa americana, anunciada na semana passada — negócio que colocou a soberania sobre os minerais brasileiros no centro do debate nacional. O ponto central da parceria é o projeto Pela Ema, localizado no município de Minaçu, em Goiás.

A inconstitucionalidade do acordo já havia sido levantada pelo PSOL, que acionou a Procuradoria-Geral da República pedindo a anulação da venda e questionando se Caiado extrapolou suas competências constitucionais ao negociar diretamente com Washington.

O argumento do ministro encontra eco na decisão unânime do STF da véspera, que validou as restrições à aquisição de terras por empresas sob controle estrangeiro, reafirmando que a soberania sobre ativos estratégicos é matéria da União.

Regulamentação urgente e alerta contra desinformação

Além de contestar o acordo goiano, Rosa reconheceu que o Brasil precisa legislar sobre minerais críticos com rapidez. “É um tema que suscita dúvidas e inseguranças. Muita gente leu as notícias dos últimos dias e ficou imaginando que o Brasil está perdendo um ativo importante e uma quantidade grande de minerais críticos para um grupo econômico que não é brasileiro. Eu acho que precisa ter regras”, disse.

O ministro revelou que o presidente Lula tem cobrado pessoalmente da equipe ministerial empenho no assunto. Ainda assim, Rosa pediu cautela no encaminhamento: “Precisamos nos debruçar com cuidado, ouvindo especialistas e geólogos. A questão não é só política e só econômica. É também técnica e científica, e é preciso ter respeito”.

Sobre o caso específico de Goiás, o ministro disse haver “muita desinformação” e defendeu que é preciso saber “exatamente que tipo de atividade vai ser feita” antes de qualquer conclusão. A declaração indica que o governo federal ainda avalia os detalhes do projeto Pela Ema antes de adotar medidas mais concretas em relação ao acordo.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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