Publicações nas redes sociais afirmam que a Polícia Federal fechou uma “fábrica de fake news” criada para beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, em suposta operação contra manipulação de pesquisas eleitorais. A informação é falsa.
No dia 2 de agosto, data citada nas publicações, a PF deflagrou apenas quatro operações: três contra o tráfico de drogas na Bahia e no Amazonas, e uma contra empresas clandestinas de segurança em casas noturnas de Manaus — nenhuma relacionada a fake news ou ao candidato.
Origem da imagem falsa
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, por e-mail, que a fotografia usada nas publicações foi gerada por inteligência artificial a partir de imagens reais de uma operação da Polícia Civil. O alvo verdadeiro dessa ação, porém, não tinha nenhuma relação com fake news ou com a candidatura de Flávio Bolsonaro: tratava-se de uma central telefônica usada para aplicar golpes.
Para confirmar a manipulação, a equipe de verificação do Fato ou Fake submeteu a foto a duas ferramentas especializadas em detectar conteúdo produzido com IA. As duas apontaram, de forma independente, que a imagem não é uma fotografia real.
Não é a primeira vez que uma montagem digital tenta associar o senador a situações fabricadas. Em março, outra imagem gerada com inteligência artificial já havia colocado Flávio Bolsonaro ao lado de figuras comprometedoras, também sem qualquer base na realidade.
Escalada de desinformação na campanha
O episódio se soma a uma sequência de casos envolvendo conteúdo enganoso gerado por IA em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Em julho, o PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por causa de um vídeo sintético de Jair Bolsonaro exibido na própria convenção que lançou a candidatura do filho.
Dias antes, a própria campanha do senador já havia recorrido à Justiça Eleitoral para denunciar o problema oposto: segundo o PL, cerca de 20 mil perfis falsos foram usados para atacar o candidato nas redes sociais.
Diante da reincidência de conteúdos fabricados com inteligência artificial, especialistas em checagem recomendam desconfiar de imagens sem fonte identificada e buscar confirmação em canais oficiais antes de compartilhar.