Uma perícia da Polícia Federal (PF) identificou indícios da participação de mais diretores do Banco de Brasília (BRB) em irregularidades ligadas às negociações da instituição com o Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero.
Segundo laudo revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por 60 dias do prazo do inquérito para colher mais depoimentos e analisar material apreendido antes de concluir as investigações.
Suspeitas atingem diretoria colegiada do BRB
De acordo com o laudo pericial, integrantes da diretoria colegiada do BRB teriam descumprido normas internas e aprovado operações fora dos procedimentos regulares de controle, além de falhas nas regras de governança do banco estatal.
O inquérito apura como o BRB desembolsou R$ 12 bilhões para adquirir carteiras de crédito do Banco Master que, segundo a apuração, não pertenciam à instituição comandada por Daniel Vorcaro e estavam desprovidas de garantias reais.
Operação com a Tirreno Consultoria
Um dos pontos investigados pela PF envolve as operações entre o Banco Master e a empresa Tirreno Consultoria. A perícia identificou incompatibilidade entre a estrutura operacional da Tirreno e o volume bilionário movimentado nos negócios com o Master.
As carteiras de crédito consignado da Tirreno foram compradas pelo Master por R$ 6,3 bilhões e repassadas ao BRB por R$ 11,5 bilhões — diferença que chamou atenção dos investigadores. Segundo a PF, os ativos não tinham lastro, ou seja, eram carteiras podres. Documentos internos do BRB já indicavam, desde abril de 2025, que diversas carteiras cedidas pelo Master não tinham averbação verificável, o que reforça a conclusão da perícia.
Prisão de ex-presidente e novo pedido de prazo
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, é o único preso preventivamente no caso. Ele tentou fechar um acordo de delação premiada, mas a proposta foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Esta não é a primeira vez que a PF recorre ao STF pedindo mais tempo. Em março, a corporação já havia solicitado prorrogação ao ministro André Mendonça em razão do volume de material apreendido nas fases anteriores da Operação Compliance Zero.
A nova perícia se soma ao relatório de auditoria externa que o próprio BRB entregou à PF em abril, produzido pelo escritório Machado Meyer com apoio da consultoria Kroll, que já sinalizava irregularidades na diretoria colegiada. A tendência é que André Mendonça acate o novo pedido de prorrogação de 60 dias.