O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta sexta-feira (21) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma ligação de 1 hora e 20 minutos classificada pelo Palácio do Planalto como “amistosa e cordial”.
Durante o diálogo, Lula classificou como infundadas as justificativas dos Estados Unidos para o tarifaço contra produtos brasileiros e defendeu a retomada das negociações comerciais entre os dois países.
Justificativas dos EUA rebatidas por Lula
As tarifas contra o Brasil foram definidas a partir de investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que citou desmatamento, combate à corrupção, funcionamento do PIX, o mercado de etanol e supostas importações ligadas a trabalho forçado como fundamentos para a medida.
Segundo o Planalto, cada um desses pontos foi rebatido por Lula ao longo da ligação. O presidente brasileiro argumentou que o tarifaço prejudica a economia dos dois países e defendeu que a manutenção do diálogo bilateral é o caminho mais eficaz para resolver o impasse.
Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de preservar as relações comerciais e propôs que as equipes técnicas dos dois governos retomem as negociações o quanto antes.
A conversa desta sexta-feira era aguardada havia meses: já em setembro de 2025 o governo brasileiro previa que o contato com Trump aconteceria por telefone, com o tarifaço como pauta central.
Cooperação contra o crime organizado também entrou na pauta
Lula reiterou a Trump o interesse do Brasil em cooperar com Washington no combate ao crime organizado. Ele defendeu que as facções criminosas impõem terror às populações mais vulneráveis, mas não podem ser equiparadas a organizações terroristas, e afirmou que o país já dispõe de instrumentos legais para enfrentá-las.
O presidente citou a estratégia de estrangulamento financeiro das facções, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões, além do plano de transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima. Também mencionou a sanção da Lei Antifacção, que agiliza a apreensão de bens e passaportes, e a PEC da segurança pública, em análise no Congresso, que amplia a atuação da União junto aos estados.
Lula ainda destacou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne autoridades de todos os países da bacia amazônica. Em resposta, Trump sinalizou disposição para fortalecer a cooperação e disse que vai designar funcionários de alto escalão para avançar nas tratativas.
O tom cordial da ligação contrasta com o impasse diplomático que marcou boa parte de 2025: em julho daquele ano, Lula chegou a criticar publicamente a postura de Trump, afirmando que o americano “não quer conversar”.