O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, se reuniu nesta segunda-feira (20) com o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, para pedir a apuração de perfis falsos que atacam o pré-candidato.
Em seguida, ele protocolou representação no tribunal afirmando que a campanha identificou cerca de 20 mil contas fraudulentas, que teriam movimentado R$ 20 milhões para impulsionar propaganda contra Flávio, Tarcísio de Freitas e Jorginho Mello.
Esquema identificado desde fevereiro
O pedido não é o primeiro: em junho, o TSE já havia concedido liminar obrigando Gleisi Hoffmann, Guilherme Boulos e outros perfis a apagar publicações que associavam Flávio Bolsonaro ao crime organizado, decisão que também forçou a Meta a entregar dados cadastrais dos responsáveis — precedente que a campanha agora tenta repetir em escala maior.
Segundo Marinho, “viemos pedir o auxílio à Justiça Eleitoral para que a investigação aconteça e nós possamos identificar quem está financiando esse atentado à democracia”. O pedido inclui uma liminar para retirar as contas de circulação enquanto a apuração avança.
A advogada Maria Claudia Bucchianeri, da equipe jurídica da pré-campanha, disse que o PL já havia mapeado em fevereiro perfis pequenos — com cerca de 30 seguidores — movimentando R$ 200 mil em impulsionamento pago. Segundo ela, as contas são abertas com CPF falso, usadas para pagar publicações que atacam o pré-candidato e depois apagadas “para não deixar rastros”.
Para reconstituir a cadeia de financiamento, a defesa pediu à Justiça uma ampla quebra de sigilo com dados da Meta sobre o cadastro de contratantes e anunciantes, incluindo datas de criação e desativação dos perfis, conteúdo publicado e valores pagos. “A gente precisa saber de quem é esse cartão de crédito. De quem é esse CPF. De quem é essa linha telefônica”, afirmou Bucchianeri.
A denúncia se soma a uma avalanche de mais de 135 representações eleitorais já protocoladas no TSE neste período pré-eleitoral, boa parte delas envolvendo perfis falsos, inteligência artificial e deepfakes usados como arma política a cem dias do primeiro turno.
Bucchianeri afirmou ainda que um número pequeno de contas mapeadas pela equipe jurídica aparece “exaltando o atual governo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, o que a campanha de Flávio cita como possível indício de que o esquema também teria beneficiado o adversário.
Agora, a decisão sobre a liminar pedida por Marinho fica nas mãos do ministro Kassio Nunes Marques, que em episódios anteriores envolvendo o pré-candidato já determinou a remoção de conteúdo e a quebra de sigilo de dados de perfis suspeitos.
