A Fitch Ratings elevou a nota de crédito nacional de longo prazo do município do Rio de Janeiro para AAA, o grau de investimento mais alto da escala usada no Brasil, com perspectiva estável.
Segundo a agência, o avanço reflete melhoras consistentes na gestão fiscal do município nos últimos anos, o principal fundamento citado para a elevação.
O Perfil de Crédito Individual do município, indicador de saúde financeira sem apoios externos, também avançou: de “BB” para “BB+”, refletindo risco médio a baixo.
Rio se aproxima de São Paulo no ranking de crédito
De acordo com a Fitch, o par mais próximo do Rio de Janeiro passa a ser o Estado de São Paulo, que também tem rating nacional de longo prazo AAA e perspectiva estável. Os dois entes compartilham perfil de risco ‘médio a baixo’ e perfil financeiro ‘A’.
A agência explica que o índice de payback do Rio — o prazo necessário para o retorno de um investimento inicial — está menos pressionado e ocupa o patamar superior da categoria ‘AA’. É esse indicador que justifica o Perfil de Crédito Individual do município ficar um grau acima do de São Paulo, mesmo com os dois no mesmo nível na escala nacional.
Teto soberano do Brasil ainda limita a nota
Na escala global, ratings de estados e municípios brasileiros precisam ficar ancorados no teto soberano do país. Apesar do avanço do Rio, essa referência seguiu mantida pela própria Fitch em ‘BB’, com perspectiva estável, o que limita até onde entes subnacionais podem chegar na comparação internacional.
Para que serve a nota de crédito
Notas de crédito são representadas por letras, números e sinais e variam de D, a mais baixa, a AAA, a mais alta. As agências dividem essas classificações em dois grandes grupos: grau especulativo e grau de investimento.
É a partir dessa nota que investidores avaliam se compensa aplicar capital em determinado governo, medindo o risco de perder o dinheiro investido frente à chance de retorno. A avaliação funciona como uma opinião independente sobre a capacidade de um ente pagar sua dívida.
Fundos de pensão internacionais, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, costumam ter regras internas que só permitem investir em títulos classificados em grau de investimento. Por isso, notas como a obtida pelo Rio de Janeiro ampliam as portas para captar recursos de investidores estrangeiros.