Política

OEA confirma missão para observar eleições de 2026 no Brasil

Missão será a quinta desde 2018 e terá José Miguel Insulza, ex-chefe da OEA, à frente dos trabalhos
TSE e Itamaraty representam a missão da OEA que observa eleições 2026 no Brasil

A Organização dos Estados Americanos (OEA) confirmou o envio de uma missão de observação para acompanhar as eleições presidenciais de 2026 no Brasil, com votação marcada para 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro.

Será a quinta missão da OEA no país desde 2018. O grupo será chefiado por José Miguel Insulza, ex-secretário-geral da organização, após acordo assinado com o governo brasileiro nos Estados Unidos.

Precedente elogiado em 2022

A missão da OEA chega ao Brasil com histórico recente favorável. Nas eleições de 2022, a organização acompanhou os dois turnos e classificou a votação como realizada “com ordem e normalidade”. Depois do segundo turno, avaliou que a urna eletrônica brasileira “mais uma vez comprovou sua eficácia”, com resultados divulgados rapidamente e sem contratempos.

O relatório da época também elogiou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, segundo a OEA, conduziu o processo em um “contexto complexo, marcado pela polarização, desinformação e ataques às instituições eleitorais”.

A nova missão ocorre poucas semanas depois de o Brasil barrar dois diplomatas americanos que, segundo o Washington Post, viajavam a Brasília para questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas antes do pleito.

OEA já contestou eleição na Venezuela

Nem todas as avaliações eleitorais da OEA na região seguem o tom elogioso registrado no Brasil. Em julho de 2024, a organização afirmou não reconhecer o resultado anunciado pelas autoridades eleitorais da Venezuela, que declararam Nicolás Maduro vencedor da disputa presidencial.

Em relatório sobre o pleito venezuelano, a OEA apontou indícios de que o governo Maduro havia distorcido o resultado, citando “ilegalidades, vícios e más práticas”. A entidade também afirmou que o Conselho Nacional Eleitoral do país proclamou o vencedor sem apresentar os dados necessários para comprovar o resultado, com números oficiais que traziam “erros aritméticos”.

Diferentemente da missão americana barrada pelo Itamaraty em julho, que teve caráter unilateral e foi alvo de negativas por parte de Washington sobre tentativa de interferência, a missão da OEA chega ao país com mandato formal e histórico de avaliações elogiosas ao sistema eleitoral brasileiro.

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