Política

Departamento de Estado dos EUA nega plano para barrar reeleição de Lula

Órgão americano promete respeitar resultado das urnas, mas mantém condicional que pode ser usado para questionar o pleito
Lula com faixa presidencial e Marco Rubio com bandeiras dos EUA ao fundo, no contexto do EUA plano reeleição de Lula

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou nesta quinta-feira (13) ter qualquer plano para impedir a reeleição do presidente Lula e afirmou que respeitará o resultado das urnas em outubro, seja qual for o vencedor.

A resposta foi dada ao g1 depois que o blog do jornalista Valdo Cruz revelou que a equipe de Lula suspeita que o secretário de Estado Marco Rubio articula um plano para evitar sua reeleição — suspeita classificada por uma fonte americana como distante da realidade.

Uma ressalva que preocupa o Planalto

Apesar da negativa, a resposta do Departamento de Estado usa o condicional “eleições livres e justas” — expressão que o governo Trump já empregou antes para questionar pleitos em outros países. A formulação abre uma brecha para que Washington conteste o resultado das urnas brasileiras caso o desfecho desagrade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirma que o sistema eleitoral brasileiro é seguro e as urnas eletrônicas, auditáveis e confiáveis.

A desconfiança da equipe de Lula em relação a Rubio cresceu depois que o governo Trump divulgou um vídeo afirmando que o domínio dos Estados Unidos sobre toda a América “nunca mais será questionado”. Para assessores do Planalto, a peça reforça a leitura de que o secretário de Estado busca conter a permanência de Lula no poder.

Não é a primeira vez que o Departamento de Estado nega intenção de interferir no processo eleitoral brasileiro. Em julho, veio à tona que o governo Trump preparava o envio de diplomatas a Brasília para questionar a integridade das urnas eletrônicas, missão barrada pelo Itamaraty e que Washington, à época, também negou ter como objetivo desacreditar o sistema de votação.

Rubio e a nova Doutrina Monroe

Marco Rubio é apontado como uma das principais autoridades do segundo mandato de Donald Trump e como o articulador de uma nova fase da Doutrina Monroe, estratégia com que os Estados Unidos buscam ampliar sua influência sobre o Hemisfério Ocidental — inclusive sob ameaça de uso de força militar contra países que não cooperem. Especialistas ouvidos pelo podcast O Assunto apontam o secretário como o principal pivô da crise entre Brasília e Washington.

A relação entre os dois países já vinha desgastada por sucessivas fricções nas últimas semanas, incluindo o episódio em que o governo Trump reagiu depois que Lula desafiou publicamente Rubio a apoiar Flávio Bolsonaro, além de embates envolvendo tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Em alguns momentos, o próprio Rubio adotou tom mais inflamado, chegando a trocar farpas diretamente com Lula.

As eleições presidenciais brasileiras estão marcadas para o primeiro e o terceiro finais de semana de outubro. Até lá, a tendência é que a disputa diplomática entre os dois países continue pautando a reta final da campanha. Esta reportagem está em atualização.

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